Nas brumas de um amor infante
Viajei por entre vales e rios
Vi a vida indo, vi os anos vindo
Ouvi tua respiração arfante
No bater das asas desse amor pulsante
Conheci os dias, amargurei derrotas
Me lancei em bocas, não dormi nas noites
E me perdi em mim, sem ti, em ti, por ti
Nos lábios tenros de fadado amores
Destrai as dores, me enganei paixões
Perdi as horas, anos se foram
A cicatriz amena, não sentia dores
Nos idos anos, pelos quais passei
Apaguei-te a memória, renovei as forças
Refiz os planos, reergui os muros
Desfiz as pontes, sem fazer barulhos.
Perambulante, só, perdido e ébrio
Saia a vagar a rua, tentando achar
Perdido que estava, não achava o elo
E padeci de lágrimas e sufoquei o choro.
E no cauduloso rio de águas tão barrentas
Mergulhava insano, e ao fundo ia
Na quimera insone de fugir do dia
Nada mais acenava, nem a paz nem sequer a brisa
E no tardar das horas, no mais profundo nada
Já sem lágrimas, sem amor, sem ódio, sem dor
Somente o corpo incólume, impávido e vazio.
Eis que surge a aurora, um novo raio de sol
Os olhos verdes da bendita amada,
penetram tão profundos mares, minas, covas.
E do nada renasce o sentimento ressequido
O amor inebriante, a vida fulgurante.
Derramas a luz do teu olhar, e semeia a terra
Que encerra a semente já exausta de amor
E com a voz a chamar meu nome, lenta, baixa
Aduba o coração apático, que outrora estático
É a profusão de luz, som, toques
É a epifanía de uma torrente insana
É a vida que retorna ao ser
É o ser que retorna a vida
Até quando, até onde, até como?
Isso é mistério profundo e distante.
Um comentário:
Sim! É a Odisséia dos Amantes, entre amores e desamores.
"É preciso inventar 'de novo' o amor"
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