domingo, 31 de agosto de 2008

Conselho ao tempo

Santo tempo,
Sempre lento,
Como passam as tuas horas?
Por onde andam teus segundos?

Tempo lento,
Sempre Santo,
Por entre teus dias vou traçando,
As linhas tortas de minha vida.

Tempo, sempre
Lento e Santo
Na quimera de tuas horas
Minha história se deita.

Tempo, tempo
Sempre, sempre
Canto entre teus tics
E me calo durante os teus tacs

Lento, lento
Santo, Santo
Passa sobre mim as folhas de teu calendário
Me trás o dia que espero. A data, que eu quero.

Oh! Sempre Santo, Lento Tempo
Deixe-me trançar as linhas do teus segundos
Deixe-me descompassar o compasso do teu relógio
Deixe-me confundir as horas,
Me esconder dos teus meses,
Apagar-te os anos,
Refazer-me os planos,
Desfazer-lhe o sentido.

Corra sem destino,
Mova teus moinhos,
Bagunce meu mundinho,
Se perca do caminho.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

[Sem Nome]

Quero me apaixonar sempre,
E viver amando,
E por isso sofrerei.
E sofrerei mais,
À medida que esse amor for crescendo,
E amarei mais,
Quanto maior for a dor do amor passado.
Vim do amor,
Viverei do amor,
E morrerei (se for pra ser)
Do amor.


Em resposta a música de meu amigo
Gui Cachoeira, postada abaixo.

A.M.

Meu amigo moribundo,
O que leva desse mundo?
É amor maior que o peito que tens.
Meu amigo, seu caminho, sim, é feito de espinho,
Mas caminho sem espinhos, não tem.

Não chegaste a conhecer o infortúnio de viver.
E tens no peito a maldição do querer.

Vais sozinho a procurar o teu amor no mar.
Vais risonho, sim suponho, podes encotrar.
E atrás do velho monte do cartão postal,
Verás que seu desejo carnaval,
É só um peso nesse seu penar.

E amava ,sim amava,
Tão pequena amava,
Docemente a amava

Simplesmente amava,
E era infeliz
Como um pobre mortal.

Letra e música por Guilherme Cachoeira
Minha sina, transparece o coração.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Minha Odisséia

Nas brumas de um amor infante
Viajei por entre vales e rios
Vi a vida indo, vi os anos vindo
Ouvi tua respiração arfante

No bater das asas desse amor pulsante
Conheci os dias, amargurei derrotas
Me lancei em bocas, não dormi nas noites
E me perdi em mim, sem ti, em ti, por ti

Nos lábios tenros de fadado amores
Destrai as dores, me enganei paixões
Perdi as horas, anos se foram
A cicatriz amena, não sentia dores

Nos idos anos, pelos quais passei
Apaguei-te a memória, renovei as forças
Refiz os planos, reergui os muros
Desfiz as pontes, sem fazer barulhos.

Perambulante, só, perdido e ébrio
Saia a vagar a rua, tentando achar
Perdido que estava, não achava o elo
E padeci de lágrimas e sufoquei o choro.

E no cauduloso rio de águas tão barrentas
Mergulhava insano, e ao fundo ia
Na quimera insone de fugir do dia
Nada mais acenava, nem a paz nem sequer a brisa

E no tardar das horas, no mais profundo nada
Já sem lágrimas, sem amor, sem ódio, sem dor
Somente o corpo incólume, impávido e vazio.
Eis que surge a aurora, um novo raio de sol

Os olhos verdes da bendita amada,
penetram tão profundos mares, minas, covas.
E do nada renasce o sentimento ressequido
O amor inebriante, a vida fulgurante.

Derramas a luz do teu olhar, e semeia a terra
Que encerra a semente já exausta de amor
E com a voz a chamar meu nome, lenta, baixa
Aduba o coração apático, que outrora estático

É a profusão de luz, som, toques
É a epifanía de uma torrente insana
É a vida que retorna ao ser
É o ser que retorna a vida

Até quando, até onde, até como?
Isso é mistério profundo e distante.

sábado, 23 de agosto de 2008

Sem rima, sem rumo, sem nada...

Me fugiu a rima,
assim como me fogem as horas,
ou como fogem as idéias,
ou como me foge a vida a cada tic-tac do relógio.

Não consigo trazê-la de volta,
não consigo domá-la,
não consigo tê-la minha.

Ela vem quando quer,
Vai quando bem entende.
E sem ela eu sou apenas mais um.

Quando ela aparece, e eu consigo segurá-la
Escrevo poemas, cartas, músicas, amores,
Seja lá o que for. Eu faço dela o que quero.

Mas logo quando termino, ela me abandona,
Me deixa sozinho, somente e tão pouco.
E eu perdido comigo, me desespero.

Volta rima, vem e trás contigo a leveza de teus sons
a alegria de tuas palavras, ou a tristeza. Quem sabe?
Trás contigo a beleza que carregas pr'onde quer que vá.

E não me abandone, pois quero ser teu.
Teu poeta, teu aluno, teu rei, teu dono...
Sem pena, sem caderno, sem coroa, sem trono.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ah! Eu tento

Ah! Eu tento tanto
Não mostrar espanto
Não calar o canto
Não deixar o pranto

Ah! Eu tento de mais
Não perder a paz
Ser o mais vivaz
Não ser o "tanto faz"

Ah! Eu tento co'alma
Não perder a calma
Proteger a fauna
Não dormir na sauna

Ah! Eu tento fundo
Não sair do mundo
Não tocar o fundo
Não zombar do mudo

Ah! Eu tento a sorte
De não trombar co'a morte
De não perder o norte
De não brigar com o forte

Ah! Eu tento ao máximo
Não sujar o plácido
Desbancar o mágico
Me livrar do trágico

Pra quê?
Por quê?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Meu Barco, Vida.

Minha vida era um barco sem rumo,
perdido no mundo, em rota de colisão
com o nada, com o vazio, com o escuro.

De dia, minhas horas eram longas,
escuras,
tristes,
mortas.

De noite, a minha lua
nua, e eu ardia ante a sua imagem
cinza, polida.
E eu a flanar sob sua luz
Me perdia, sem querer me achar.

Passaram-se dias, meses, anos
Até que eu tive um sonho
Ah, sonho!
lindo, calmo
passei dias a sonhar,
perdi madrugadas envolvido nesse delírio,
senti cheiros, gostos, toques, lábios, mãos, lágrimas, batidas cadentes de dois corações na mesma frequência.

Uma torrente de desejos, atos, gestos, sons esparços baixos.
Hesitações, desvairío, a lascívia e a santa lei casta.
Vastas,
Tentei romper-lhe a bata,
Saciar-nos em ti.
Tentei parar as horas, tentei atrasar a vida,
Deixar o futuro, viver no presente, sempre, pra sempre.
Nunca, voltar, ir, partir, NUNCA.

Sonho, como sonho era
Teve fim, que ecoa como a derrota

Como a perda de algo que não tive
Como chance que não foi me dada
Como a fé naquilo que não se vê.

Meu barco sem rumo, agora persegue
Um sonho, uma noite, um dia
Uma vida, quem sabe: você.