terça-feira, 19 de abril de 2011

Caos do Milênio

Eu sou filho de um milênio velho
Se preparando pra se tornar mais sério

Atravessando crises e guerras,
Subproduto das grandes revoluções,
Entre atentados e descobertas,
No meio do mar de informação.

D'uma geração que tenta se adaptar
A um mundo que tenta se definir
E ao mesmo tempo torna-se mais indefinido
Entre diversas teorias, diversas ondas,
Diversos planos, discursos e mentiras.

Não temos mais ídolos,
Ou sim, mas eles mudaram.
Ídolos modernos, em meio a um turbilhão
De gritos, vozes e silêncios.

E quanto mais vozes ouvimos,
Menos vozes entendemos,
E, portanto, mais queremos falar,
E falando, no meio de tantos,
Tornamo-nos mais vozes
No meio do nada.

E por vivermos no meio do nada,
E sermos tão pouco compreendidos,
Resultamos em crises dentro de nós mesmos:
Crises existenciais.


O que comprar, o que usar, o que vestir,
Como falar, o que ouvir, onde comer,
O que comer, o que ser, como viver?

E não vivemos, não comemos, não escolhemos
Escolhem por nós, e nem sabemos.

Somos fruto do caos, somos os caos,
Que tenta ser entendido
Tentamos entender o caos no qual estamos inseridos
Tentamos nos inserir em meio ao caos que vivemos


Eu sou filho de um novo tempo,
O fruto de um novo milênio,

Do caos sou a mudança,
Do futuro sou a esperança,
E ainda me sinto criança.