sexta-feira, 31 de outubro de 2008

distrAÇÃO

Sinto a boca salivar
salívio de estar a sós.

Sinto o gosto da boca
Bocabou de beijar o lábio.

Sinto o tempo que passa
Passárgada onde estás?

Sinto a vida a me invadir
Invadói sua força.

Sinto a alegria de ser
Serpente de cabelo.

Sinto a tristeza de estar
Estaria pra você agora.

Sinto palavras
Palavras, tú, a minha vida

Sinto, sinto, sinto
Sintomas porquê sou só?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Por favor a saída...

João gosta de Maria, que gosta de Paulo
Mas se eu fosse Paulo, Maria gostaria de João.
E se João fosse Paulo, Maria não gostaria de ninguém.

Essas coisas nunca são fáceis, nem nunca vão ser.
Me pergunto o porquê disso tudo.

Onde fica a tecla eject?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MonoCor

A monocromia nipônica, de fato, mas fascina.
O belo desfilar de suas alvas cores, me atordoa.
Vejo o branco claro de seus sóis,
O claro branco do seu dia-a-dia,
De suas mulheres,
De seus homens,
De suas crianças.

A triste agitação desses "tons" de branco.
O melancólico gargalhar dessa palidez alva.
O claro bege claro, de suas tez empalecidas
Pelos raios alvos claros de seu sol nascente.

Vai ver, a fulgurante monotonia dos trópicos,
A profusão de cores e tons,
Exalado pelos sons,
Pelos ares,
Pelos gostos,
Pelos olhos,
E principalmente,
Pelas peles desse povo,
Seja mesmo a imagem dessa desorganização.

Vejo essa bagunça,
No caminhar de uma bela mulata,
No cantar de hipnotisante de uma sereia Iara,
Na turva visão de suas ruas em tons de escuro.

Vejo a bagunça,
Nos sabores de tua mesa,
Nos acordes de tua música,
Nos batuques de seus terreros,
No lamento de seus morros,
Nos tristes pesares de teus sertões.

É tudo muito bagunçado aqui "do outro lado".
(Re)Vendo bem, a inútil chatice organizada,
De terras nipônicas, realmente me fascina.

É por isso que quem vem,
Quer voltar. E quem vai,
Realmente sente falta.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A carta

Algum dia, de algum mês, de um ano que eu já perdi a conta.


Lá fora o frio é paralizante e a neve já cobre as janelas da casa. Já não vejo mais o dia, nem sequer vejo a noite. Aqui dentro, na solidão de meu eu, as horas passam tristes e lentas, nelas eu continuo me arrastando. Não faço questão de saber se estou dormindo, de saber se estou acordado.

Meus suprimentos já estão acabando. Já não sei mais o que falta pr'eu viver, nem o quanto falta pr'eu morrer. A época do desespero foi embora. Já não grito, já não debato, já não reclamo. Ninguém vai me ouvir. Daqui de dentro, provavelmente, não sairei.

Um dia desses ouvi um som vindo de fora. Não lembro quando. Não sei se faz tempo ou se não faz. Sei que me tomou de súbito uma alegria. Eu pensei em gritar, eu pensei em correr, em viver. Mas, ninguém respondia aos meus sinais. Ninguém via que daqui de dentro eu estava morrendo.

Sentei de novo na minha cadeira, abri de novo meu velho caderno, peguei de novo a velha caneta e escrevi sobre a rotina de mais esse dia que passou.

Agora estou aqui, a luz da vela acessa,
Meus papeis e minha vida sobre a mesa
Os meus dias, e a rotina sempre a mesma.

Até quando?
Até quando?

Quem será que vai morrer primeiro?
Eu, ou a minha solidão?


Uma carta de autoria desconhecida,
de alguém perdido ou muito triste

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Planto sonhos.
E colho decepções.

Tem alguma coisa errada
com este solo, ou com estas sementes!!!

[sem nome]

Minha vida parou.
Não desenvolvo.
Não caminho.
Não vivo.

Estou estático.
No tempo,
No espaço,
Na vida.

Não sei o que procurar,
Não sei se devo procurar,
Não sei o que quero achar.
Não sei se devo achar.

Não sei pr'onde apontar
Minha arma,
Minha alma,
Minha vida.

Faço perguntas,
Não há respostas.
Encontro respostas,
Para perguntas que não existam.

Escuro, incerto e errante.
Esse é o meu futuro.
Esse é o meu instante.

sábado, 11 de outubro de 2008

E se um dia perguntarem:

" - Quais as tuas influências?"

" - Certos poetas dos quais, eu, não recomendaria o convívio"

" - Mas, por que?"

" - Não são boa companhia, pois, fumavam, bebiam..."

E a plateia em coro:

"- E gostavam de poesia!"


Um brinde a uma velha e boa amizade!!!
p.s.: Acho que estou lhe imitando.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Balada do Caos

Caos,
o mundo debela,
rebate,
agita,
bagunça,
a desordem,
instalada.

Meus olhos,
percebem,
enxergam,
reparam,
deformam,
destoam,
a vista,
nublada.

A boca,
balbucia,
suspira,
murmura,
canta,
fala,
e mantem-se,
calada.

E eu,
no fundo,
olhando,
calando,
pensando,
sou nada.

domingo, 5 de outubro de 2008

Bússola

Minha esquerda é na direção das horas
Que me apontam o som das canções (que jamais farei)
E dedilham em meu cérebro os versos
De minha rotina.

O meu norte, direciona a minha vida
Para a direção dos ventos.
Que uivam doces sonatas,
Das pobres cores já envelhecidas.

A bombordo, vocês enxergam um coração
Cheio de lágrimas derramadas
Pelos caminhos percorridos nas noites
Altas e ensurdecedoras de silêncios lunares.

E no centro, vejo o corpo encolhido
No lado desse nada que preenche
A parte de cima que transborda triste
A felicidade que um dia quis pra mim.

Como podem ver, minhas direções são tão claras
Como as noites de lua nova, num campo distante.
São definidas como o tênue limite do amor e ódio
E são fracas, como os montes mais altos
Que nunca quebram
Nem nunca vão descer.

É por isso, que me encontro em cada curva.
E me perco em cada reta.
Vago tanto pela vida
Sem ter rumo, ou via certa.

Auto - Conselho para vocês.

Ao espelho nunca se ama...

O amor de outrora?
Eu nunca esqueci o maior deles...

Um dia eu acordei e pensei:
"Tô vivo ainda, e tem gente lá fora"

Aí ví, que o mundo tem um norte,
um sul,
quem sabe outros lados?
Direita, em cima... e tantos outros.

Curti minha tristeza, e fiz dela os versos de meus poemas...
Hoje de vez em quando eu visito ela, pra versar mais da vida...

Viver só, é como se viver em vão...
Mas temer amar, é como não ter vida...
E não querer viver é não amar o que se é.

Triste, só, e simplesmente, vc...

Mais uma conclusão !!!

Música...
Minha frustração é ela.

É realmente triste!


Não é possível combinar
letra, melodia e acordes.

É mais indomável que o amor.
Mais inconpreensível que eu mesmo.

Lanço versos tão bonitos em meus poemas,
Faço rimas tão singelas...

Mas a música?
A música?

Me derrota.