quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Certas Indagações sobre amizades, amores, a vida"

De que vale sonhos, planos?
Se não arriscamos.

Se não arriscamos um sorriso sincero
Numa amizade de bar?

Se não arriscamos, quem sabe, uma lágrima e seu real motivo
Ao companheiro mais próximo, o que se fez preocupado?

De que vale amar, amar, amar?
Se depois deixamos de sonhar. E os planos,
Como bolas de papel, são lançados a lixeira.

De que vale tanta cerveja, tanta caipirinha, tanto bilhar?
Se no fim de tudo, uma seção de vã sinceridade
Meia-dúzia de palavras ácidas, "certas considerações",
Derrubam tudo por água a baixo.

E o poema, e a música, e a tristeza?
Já que todos estão tristes, só,
Sem amigo, sem amante e longe.

Que derradeiro fim, para uma amizade tão fértil!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mundo, bola azul.

"O meu tempo é quando"
Vinícius de Moraes - Poética

Vasto mundo.
Bola azul que gira.
Frio nos pólos.
Quente dentro.

Bola azul que gira.
Gira é dia,
Gira é noite,
Gira é ano.

Vasto mundo.
Ora inverno,
Ora gelo,
Ora suo,
Ora chove.

Roda mundo!
Nossa vida junto.
Tempo passa.
Mundo roda.

Gira louco, gira doido!
Pr’onde vai assim girando?
Onde estás em meio ao nada?
Onde fico com isso tudo?

Gira mundo, gira.

Já conheço os passos dessa estrada...

(...)E sei também que ali sozinho eu vou ficar tanto pior
O que que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E que no entanto, volta sempre a enfeitiçar(...)

(...)Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara(...)

Retrato em branco e preto - Tom Jobim e Chico Buarque


Eu me entrego nos olhares,
Nos meus atos, nas piadas sem graça,
Me desarmo, me dispo, me perco em tudo.

Não me disfarço, não me preocupo,
Não faço questão, não faço nada que não quero,
Não penso em falar, não penso em calar.

Vou me perdendo, e se não me pára, eu continuo.
E se eu continuo eu vou te achando.
E se eu te achar... Ahh !!! Você se perde.

Não tremo de frio.
Não suo de calor.
Quando triste, te choro.
Quando feliz, te beijo.

E mais uma vez, voltas a ser.
Ser dia, ser noite, ser sono,
Ser tudo, ser nada, ser linda,
ser toda, e nunca ser minha.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Oh, sim... eu estou tão cansado...

Mundo,
Mundo,
Raimundo,
Fundo,
Mudo,
Fujo,
Murro,
Burro,
Burro,
Muito,
Burro.



Me encontro um tanto quanto, bem mais tanto,
Pra baixo, cansado, empanturrado de tanta realidade,
De tanto nada, dessa malfadada vida que se impõe sobre mim.
Será que alguém pode avisá-la que eu não quero, que eu não gosto,
Que eu não tô afim ?

Quero amar, não posso.
Quero sonhar, não posso.
Quero brincar, não posso.
Quero, quero mas não posso.

Tem que ser sério, tem que esperar, tem que aguentar,
Tem que, tanta coisa, que eu já nem tenho tanto o que ter.

Só queria não querer, não ter que ser, não ter que fazer.
Só queria viver, amar, gozar, brincar... morrer.

sábado, 19 de julho de 2008

Cálido Adeus

Meu amor, mais do que tí sou eu
Pois somado a mim,
Há um coração que é só teu
E por ter você dentro dele,
Mesmo sabendo que não pode
Ele se enche de alegria, tristeza e dor.
Por fim, explode.
Escrito por F.F.F. em 28/01/2005




Naquele dia a noite veio escura,
Silênciosa e triste.
Sem mais, a lua subiu ao céu,
Mas era pequena, fraca e fria.
As estrelas não mais trilintavam,
Seu brilho era formal, não mais que isso.

O frio veio também. Há tempos não se via,
Noite tão vazia, tão murcha e tardia.
O silêncio emanava um som abafado.
Senti o gosto amargo dos teus lábios.

Senti que não me desejavas mais,
Senti o protocolo dos teus gestos,
Senti a indiferença dos teus gemidos,
Até o gozo foi alheio, pertubado me deixando.

Lhe afaguei o rosto, senti a temperatura do desprezo,
Tentei falar-te mas minha boca teve medo,
Senti então que era ali, naquele momento.
Não à tinha mais, talvez jamais à tivesse tido outrora.
Na certeza de jamais tê-la de novo, parti sem olhar,
Sem lhe dar o último adeus, sem lhe deixar o derradeiro beijo.
Escrito em 19/04/2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Coleção de Quadros

"Just keep me where the light is"
Gravity - John Mayer



Trago mais um quadro para minha coleção.
Minha pinacoteca está ficando grande e cheia de quadros.
Mas há algo em comum em todos os mais recentes.
Não sei se cores, se o ambiente, ou a técnica.
Mas todos são tristes! Começam com tanta graça, alegria e paz.
Mas no fim. Todos são tristes.
São azuis, acinzentados, uma aura pesada.
Um clima ruim, um sentimento de derrota nos desperta.

O tema é o mesmo, o Amor... No princípio leve, branco e calmo.
No fim doloroso pesado e triste.
Cada quadro, uma história, cada história uma derrota.
E quanto mais derrota, mais quadro neste quarto.
Já não o visito mais, deixo-o apagado, escuro.
Não visito mais a minha sala de quadros.
Os quadros são tristes e ao vê-los um-por-um
De novo sinto medo de chorar.

Posso borrar as pinturas, posso estragar minhas obras de arte.
Só as visito em dias como o de hoje.
Quando entro, acendo a luz e deixo mais uma obra triste e dolorosa,
Entre tantas outras memórias de um passado presente,
Que custa a se tornar uma história distante.

Vou sair e mais uma vez apagar as luzes.
Trancar a porta e começar uma nova pintura.

Escrito em 11/11/07.


Fases tristes de minha vida;
Mais um dia onde a alegria se esqueceu de aparecer.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

...

Dizem que há gozos no correr da vida…
Só eu não sei que o prazer consiste!
- No amor, nas glórias, na mundana lida,
Foram-se as flôres - a minh’alma é triste!

Minh'Alma é triste - Casimiro de Abreu


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Já não sei mais diferenciar
O que são roupas de trabalho,
Roupas de sair, ou roupas de casa.

Visto-me como quem se veste para nada.
Se vou pra rua, vou vestido de nada,
Se estou em casa mais ainda,
E se ao trabalho eu vou, o nada é mais formal.
Cansei-me de parecer, de tentar estar
De me inserir. Eles que se insiram !

Meu mundo sou eu, e os meus (poucos).
Meu time não entra mais em campo.
Minha música não corre atrás de audiência
Minha televisão sequer fica ligada.
Minha aparência agrada-me o espelho

Dias passam, horas, minutos, meses
Não me parecem tão longos, quiçá curtos.
Apenas são, e como são, vão.
Vejo noites claras, escuras, gélidas de morrer
Dias nublados (que acabam comigo), dias quentes

Não vejo sentido, ultimamente, em contar o tempo.
Ele nunca vai voltar. Lembro-me somente de fatos,
não sei o dia, a hora, sei-o simplesmente e isso basta.

Agora, mais tarde, irei me despir do nada
E deitarei em minha cama, no chão,
pois aboli a cama também,
Deito-me num colchão no chão,
como se eu fosse um visitante em uma casa simples
E lá me sentirei enfim, completo e simplesmente eu
Despido do nada, e coberto por tudo.