quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Renúncia

Eu senti o seu alento gélido nas longas noites em que lhe compartilhava minhas lágirmas,
E com ela passei dias esperando a vinda de algo melhor.

Eu dividi com raiva meus medos, meus sonhos, e meus desesperos,
E ela calada só manteve-se ao meu lado, me ouvindo estática.

Eu fui aquele que lhe cantava canções, lhe escrevia poemas, e que passava horas a pensá-la.
Eu fui pra longe, me escondi, briguei com todo o mundo, e ela sempre esteve ao meu lado.

E apesar de tudo isso, de toda essa fidelidade cega e irracional,
Eu, dubitavelmente, renuncio essa companheira. Renuncio.

Não desejo mais esse silêncio resiliente,
Não quero mais sentir sua companhia ao meu lado,
Seu olhar apaixonado e piedoso sobre meu cadaver que insiste viver,

Me dispeço, mesmo sabendo que é impossível.
Pois sei que um dia voltará para mim, cedo ou tarde.
Sei que um dia, de repente, ao olhar para o lado... talvez para frente
Ela vai estar lá, triste, pálida, cálida e intensa,

E como sempre fez outras vezes, silenciosamente,
Olhará em meus olhos, pegará a minha mão,
E seremos de novo nós dois,
Só eu e a solidão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"em vão"

Dos amores que senti,
Das bocas que beijei,
Das dores que ardi,
Dos planos que criei,
Todos foram embora,

E o que ficou foram poucas,
palavras rasas,
rimas tristes,
que reúno no livro,
ainda novo,
de minha vida.

Hoje escrevo sobre o que se passou,
Pois não sinto mais sobre o que escrever.

Não escrevo mais da musa, que me tira o sono,
Não escrevo mais da dor, que atrai o choro,
Não escrevo mais das coisas, que me fazem amar.

Escrevo somente do dias que se foram,
E das palavras que ficaram,
Transfiguradas em escaços versos,
Transformadas em vis palavras,
Que tentam, em vão,
Serem mais tristes
Do que este coração.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Há impactos na vida que são tão fortes,
Que eu nem sei mais onde estou.

Há momentos na vida tão intensos,
Que eu nem me lembro de viver.

Há horas que passam tão rapidas,
Que dá até medo de morrer mais cedo.

Há lembranças tão gostosas em minha memória,
Que as vezes penso que elas não existiram.

Há vazios tão grandes em minha cabeça,
Que já me esqueci
Desses impactos,
Desses momentos,
Dessas horas,
Dessas lembranças.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Confissão

Eu sou assim:
Enquanto só,
Ruim.

Queria ser diferente:
De qualquer maneira,
Contente.

Não vou dizer que não tento:
A qualquer custo,
Um alento.

Mas, amigo, lhe confesso:
Nessa vida, todo dia,
Quem me dera um boteco.

domingo, 25 de outubro de 2009

Conclusão Interrogativa

"Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado, infiel
Bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo
Eu descobri como um velho bandido
Que já pude estar perdido neste céu de zinco"
Velho Bandido - Casuarina


Aquilo que espero,

Daquilo que tenho.
Não é, e não pode
Ser o que sonho.

O sonho que tenho,
E aquilo que posso,
São tão diferentes,
Que nem os escolho.

O que tenho de tempo,
Que foi, e que vem
Não é o preciso,
É o que me convém.

Portanto se choro,
Se rio, ou me canso.
Quem é que se importa?
Quem é esse alguém?


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ps.: Desculpem-me a demora...
Parece-me que a inspiração não é tão minha companheira...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um abraço...

E as horas sozinho a contemplar a lua?
O abraço quente, carinhos do filho que ele iria ter?
As noites de amor, dos dias de cansaço?
As risadas de alegria com os amigos?
As voltas para casa, caminhando ébrio pela rua,
A cantar para a noite, acordando a vizinhança?

E os tantos pores-do-sol que ele não vai mais assistir?
Os momentos a sós consigo mesmo, no escuro do seu quarto,
Na sala vazia, ao som de suas músicas?

E as piadas sem graça, as risadas forçadas?
Os acordes não tocados, os sons não ouvidos?
As mulheres não beijadas, os amigos não feitos?
As palavras não ditas, os gritos não dados?

E os lugares não visitados, os segredos calados?
As lágrimas silenciosas, que de seus olhos não escorreram,
E que por isso ninguém pode lhe ajudar?

E a hesitação de seus atos, as palavras não ditas?
Os momentos que não foram, e que jamais virão?

Porquê hoje ele só quer uma coisa:

Que a morte lhe abrace, calma, silenciosa e de repente.
(como o abraço que ele tanto esperou de alguém em vida)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Vazio

Vazio:

É o que eu sinto.
É o que eu tenho.
O que me resta.
Como estou.
O que eu enxergo.

É onde eu travo minha batalha,
E onde eu me escondo,
Quando tudo não passa disso:

Vazio

sábado, 8 de agosto de 2009

Eu preciso de vida

Eu não consigo mais escrever
Pois acho que já escrevi sobre tudo que eu já senti

Isso significa que eu tenho que sentir coisas novas
Para que eu possa descobrir novas maneiras, novas rimas
novas possibilidades de versos, estrofes e sons.

A conclusão é a mesma que já tive outrora:
Eu preciso de vida...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Razões

"Tiredness fuels empty thoughts
I find myself disposed
Brightness fills empty space
In search of inspiration"
Damien Rice - Eskimo

Se não escrevo é porque não sinto
E não sinto porque não tenho

Não tenho a dor que dos olhos faz escorrer a lágrima
Não tenho o medo de que tudo se acabe
Não tenho a triste certeza que alguém há de partir
Cedo ou tarde

Não sinto mais o nervoso de um beijo
Nem o prazer de um doce afago
Não sinto a alegria d'um olhar soturno
E o sorriso da malícia no calar da noite

Não sinto mais a falta de certeza
Certeza essa, que inunda o meu nada
E ali fica, dentro do vazio dos meus dias.

Me lembrando que estou só
E que só comigo,
eu não me basto
E não me acalmo,
eu deixo de sentir

Eu deixo as coisas que não percebo
Eu deixo as horas,
E é por isso que não escrevo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ultimamente

"Eu tô trancando meio morto, meio vivo num lugar que não é meu
Feito um maluco esperando o paraíso que Deus prometeu.
As vezes chove, as vezes racho o crânio com o calor que faz aqui,
E o mais estranho é sendo o mundo tão grande, eu não ter pr'onde ir"
Daniel Gonzaga - Poeira



Tem dias que são tão frios quanto a noite

Que me cubro de esperanças tolas
E apago a luz da minha realidade pobre.

Existem horas que são tão longas quanto o ano,
Que me perco em seus dias, que são segundos,
E que, segundo a lógica irracional da vida, vão embora.

E cada segundo desse, que perco me escondendo de quem eu sou,
É um segundo que não acho num futuro perto que está por vir,
E por esperar tanto esse futuro que não chega
Sigo vivendo, meio morto, meio triste, meio vazio
No espaço que o hoje me consente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hoje

"Hoje eu já não sei do meu caminho,
Eu não sei o que quero.
Hoje sei que desespero
Quando estou sozinho."
Caminho - Daniel Gonzada


Hoje eu só queria estar num canto.

No teu canto, num canto calado,
Num canto parado, num canto fechado.

Queria só sentir o afago dos teus dedos
Por entre meus dedos,
Sentir o teu cheiro se derramando sobre mim.
E sentir a preguiça das horas, que se arrastam.
Sem ter medo algum de que você vá embora
De que tudo acabe.

Hoje eu queria estar deitado
Tão junto, ao teu lado,
Tão silêncioso e tão inerte.

E a escuridão acalmaria meus medos
E a tua voz a dizer meu nome despertaria meus sonhos
E o calor do teu hálito me protegeria do frio dos meus atos.

Hoje eu só queria o nada,
O silêncio, a hora passando,
O sol caindo, a lua subindo,
O momento estático,
Nossos corpos parados,
Nossas vozes caladas,
E nossas vidas seguindo,
Juntas, unidas e únicas.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Só um desejo

Ah! O brilho dos teus olhos que tanto vejo
Que me olham, e me sorriem depois do beijo
São luzes perdidas no fundo do meu eu
São tristes acenos da amada ao Corifeu

Ah! Essas horas, tantas horas e tão poucas
Que são dias, que são tardes, que são loucas.
Se pelo menos eu lhe prendesse um segundo
Irias sentir tanto amor, um amor maior que o mundo

Nos teus lábios onde encerram tanta paz
Está um porto tão torrente, tão perfeito e tão fulgaz.
E o segundo perdido, entre gestos e carinhos
É o segundo sem uma volta, sem um fim, sem um caminho.

E se tu soubesses o calor da tua pele
Não negavas do teu beijo o sabor que ele expele
E se soubesse o que a tocar-te sinto eu
Me enchias de abraços e jamais diria adeus

Em cada uma que passa eu vejo o teu rosto
Sinto o seu cheiro, e sinto o teu gosto.
Mas nenhuma delas é você
E nenhuma outra há de ser.

Só te peço, não te prendas, que te deixes,
E que sinta o que tiveres que sentir
E as portas da tua vida não me feche
Pois em tí é o meu desejo, todo em mim.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Acostuma-te coração

Acostuma-te coração
Pois é só desse pouco
Que irás viver.

Terás pouco amor,
Pouco carinho,
Poucas alegrias,
Poucos motivos para seres feliz.

Acostuma-te coração
Pois isso será a tua vida

A vida não será do jeito que quer.
Não terás os amores que quereres.
Não serás amado como quereres.

Viverás a mingua de um amor que não existe
E o verá sempre passar pela tua frente,
Tocará algumas vezes, o amor desejado,
Mas lhe doerá a pele, lhe arderá a fronte.
E perderás a chance, ser perderás no instante.

O amor lhe será sempre assim,
Como a onda que bate no mar,
Como o brisa quente a soprar
Como ela, que não está em mim.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

D'onde vem meu gostar

É pela palavra que jamais lhe ouvirei dizer,
É pelo toque que jamais sentirei da tua mão,
É pelas lágrimas que não verei escorrer dos teus olhos por mim,
É pela calma que não sentirei ao estar do teu lado, nunca.

É pelo olhar cheio de ternura, que nunca me dirigirás,
É pelo beijo sedento de amor e lascívia que jamais sorverei de ti,
Pela carta que não escreverás, pela música que jamais será nossa,
Pela manhã que verei amanhecer sozinho,
Pelas noites que padecerei a sua espera.

É pelas coisas de ti, que não são minhas,e sei que não serão.
É pelo cuidado e a segurança que você não me dará.
É pelo convívio besta, a toa, sem assunto, sem palavras que não iremos ter,
É pelos filmes que não assistiremos,
Pelos lugares que não conheceremos juntos,

Pelos nomes dos filhos que não teremos,
Pela alegria que não sentirei,

Pelo amor que jamais sugarei de teus poros.
É da entrega tua, que não será pra mim


Que o meu gostar se nutre,
Das coisas que não são,
E, tristemente, não irão ser.

"Minha solidão é o meu cigarro"

O amor me consome com a mesma intensidade que consumo os meus cigarros.
E eu, assim como o cigarro, vou me consumindo calado, silencioso e lentamente.

Só eu sei o que se passa aqui dentro, só eu posso sentir.
Só eu, e meus cigarros.

domingo, 3 de maio de 2009

Não sei

Realmente está ficando chato.
Ultimamente não tem dado tempo nem para começar.

O que será que está havendo?!
Comigo, com elas, com a vida?!

O que acontece?
É tudo tanto e tão intenso.
Mas logo acaba.
Não chego a sentir o gosto da calma de amar,
Se é que ela existe de fato.

Tem sido somente medo,
E o sentimento do fim premente.

Quantas lágrimas, quantos fins,
Tanta tristeza, tantos planos.

Tudo em vão, tudo para nada.
Não sei até quando aguento,
E começo a indagar
se devo, de fato,
aguentar...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O que eu quero

O que eu quero não está longe,
Nem tampouco distante do meu eu.
O que eu quero não é plano,
Não é dúvida, nem talvez.
O meu querer não planeja,
Não almeja,
não deseja.

O meu querer, é num momento bem maior
É num momento bem melhor. É mais verdade.
O meu querer, não vai ser e nem será.
O meu querer, não tem tempo,
Não tem quando, não tem data.

O que eu quero é o agora,
São as coisas lá fora,
Que acontecem em sua hora,
Que acontecem e são.

O que eu quero é o que eu sinto,
É o que eu digo, e o que eu sou.
Não quero mais do que o instante,
Que estou passando,
Que estou pensando,
Que estou querendo.

Quero aquilo que eu tenho,
E quero tê-lo assim,
na hora e em mim.
Quero sentir a vida hoje
Passando boa ou ruim.

Quero sentir as horas
Que são minhas,
E que depois não mais serão.

Quero sentir o que eu consigo,
O que eu conquisto,
No momento em que isso é meu.

O amanhã?
Do amanhã eu não quero saber,
Não preciso saber,
E não gosto de saber.

O amanhã já passou,
O ontem talvez seja,
Mas o hoje é meu.
O agora em que sou.

Sua e mais nada

Não quero que sejas pra mim
Somente o suspiro de um sonho
Tão bom, e tão perto do fim.

Não quero que me dê o beijo
Último e derradeiro, da despedida
Dos tolos afãs de meu desejo

Não quero sentir-te indo embora
Ver-te partir sem olhar para trás
Enquanto o mundo fica lá fora

Não quero ouvir, da tua boca,
O adeus daquilo que ainda nem começamos.
Não quero deixar-te linda e louca.

Não quero deixar de sentir raiva,
Nem tampouco esse ciúmes que me corrói.

Quero morrer de amor,
E por segundos te odiar,
E logo após te amar mais,
E depois te perdoar.

Quero que te aconchegues em meu peito
E que durmas ao meu lado, simples e somente.

Quero sentir tudo o que proporcionas
Tudo o que despertas,
Tudo o que ofereces

Quero fazer da minha vida uma história
Triste e apaixonada,
Fulgás e atormentada,
Sua e mais nada.

O que sinto...

Ah! O brilho dos teus olhos que tanto vejo,
Que me olham e me sorriem depois do beijo,
São luzes perdidas no fundo do meu eu,
São tristes acenos da amada ao Corifeu.

Ah! Essas horas, tantas horas e tão poucas;
Que são dias, que são tardes, que são loucas.
Se eu pelo menos prendesse-lhe um segundo,
Irias sentir um amor maior que o mundo.

Nos teus lábios onde encerram tanta paz,
Está um porto tão torrente, tão perfeito e tão fulgaz.
É o segundo perdido, entre gestos e carinhos.
É o segundo sem uma volta, sem um fim, sem um caminho.

E se tu soubesses do calor da tua pele,
Não negavas do teu beijo o sabor que ele expele.
E se soubesse o que a te tocar sinto eu,
Me encherias de abraços e jamais dirias Adeus.

Só te peço: não te prendas, que te deixes,
E que sinta o que tiveres que sentir.
E as portas da tua vida não me feches,
Pois em ti é o meu desejo, todo em mim.

sábado, 11 de abril de 2009

Hoje eu vi o filho que eu quero ter

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
No rosto de uma criança.
Senti a pele macia, o olhar penetrante,
E o peito cheio de esperança.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Dando pulos, sorrindo, feliz.
Senti o brilho da vida pequena
Se fazendo amena, se fazendo aprendiz

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Se embalar nos braços do pai.
Senti o acalanto calmo e sereno,
E meu filho dormindo, dormindo em paz.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
E como chorei ao vê-lo chorar!
Os olhinhos tão pequenos
Rasos d'água querendo me amar.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Comendo papinha, pelas minha mãos.
A boca era suja, pequena e gulosa,
Mas era cheia de vida e muita ilusão.

E ele tinha nos olhos a calma do meu amor
Que amou tanto, e foi tão mais do que eu.
Tinha a cara de choro dos meus sonhos ingênuos.
Tinha os braços gordinhos, a carinha redonda.
E se encaixava em meu peito quando eu pegava no colo,
Chupando o dedinho, engolindo o choro.
Pressenti as horas em claro, no escuro da noite,
E vi o amor, em sua total plenitude.
Ele é feito de mim, e da minha mulher.
Mas foi feito pro mundo, que o dará a quem quiser.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Impressões

Eu chego a sentir nela
Aquela calma dos amores que doem,
Aquele desejo dos amores que findam,
Aquele medo dos amores que são bons,

O amor que se prepara para ruir,
A dor que se alegra em ser, depois do fim,
O nada que resta de um gostar incessante,

Um alto teor de verdade,
Um certo "quê" de desejo,
Um jeitinho de menina,
Um gosto de sofrimento.

Existem verdade em teus olhos
Que são profundos e escuros.
Mas, que brilham ao rir
E dizem direto ao coração
Aquilo que os lábios jamais diriam.

Eu vejo nela aquilo que falta no mundo,
Um ar de alegria triste,
Aquela saudade, que se sente ainda junto,
A medida certa da dor e do prazer.

Ela é a noite na vida dos amantes
Ela é a música para aqueles que sofrem
Que me desperta meus medos infantes
Enquanto mil beijos meus lábios te sorvem.

sábado, 4 de abril de 2009

Segundas Intenções

De segundas intenções meus olhares estão cheios.
E teus atos te entregam.

De segundas intenções minhas palavras transbordam,
E teus sorrisos me respondem.

De segundas intenções meus pensamentos se carregam,
E teus abraços não me enganam.

E brinco de decifrar o teu jogo.
E quando eu entendo o que você não diz,
Mesmo com a carne ardendo em fogo,
Hesito, escondo o ato que você tanto quis.

E assim, entre um sorriso,
Uma volta,
Uma dança,
Vamos brincando de várias intenções.



Escrito em 04 de Abril de 2009
05:38 AM

sexta-feira, 3 de abril de 2009

P.J.B.

Esse jeitinho de garota decidida
Com trejeitos de quem nem sabe onde está.

Ela diz que sim, dizendo que não toda hora
E quando você pede para repetir, ela não disse nada.

Isso que ela é, está longe de ser o usual.
Mas, sente tanto quando tudo é igual.

É uma menina, se esquivando das flechas da vida
Mas sem deixar de se lançar a frente da batalha

Se perde em seu futuro, com seus planos pra sempre de 10 minutos.
Mas tem no seu passado a certeza de que nada foi em vão, e nem será.

Ela é a mulher dos sonhos, e dos pesadelos.
Ela é a garota descuidada e cheia de zelos.

Ela é isso,
E quase nada.

Ela é tudo,
E nada disso.

Uma ninfa,
Uma fada.

Ela é um anjo,
Ela é um bicho.

E se tudo não passar d'uma ilusão?

E no mesmo cais, em que vi a nave da juventude aportar,
E, onde desembarcou a minha felicidade (não sei se curta ou duradoura),
Começo sentir a hora do derradeiro adeus,
do beijo salso de lágrimas,
e da silenciosa companhia da solidão.




E me disse em tímidas lágrimas de amor:
- E se tudo não passar de uma ilusão?
Eu, descrente do fim de tudo,
Ri diante de tais palavras úmidas.

Portanto, nada foi como planejamos.
Sequer houve planos.
E, na doce ilusão do sopro de vento da calmaria,
Fomos nos deixando.
Embalando-nos às águas desse mar.

E se eu tivesse lhe dito tudo o que sentia?
E se eu tivesse lhe dado os beijos perdidos, na hesitação de meus atos?

Seria uma doce linda ilusão,
Que me valeria mais, do que a paz dessa covardia hipócrita,
Que deixa de sentir.

TalveZ, o nosso engano tenha sido dar o primeiro passo desse caminho.
Ou, talvez, melhor seria, se tivéssemos nos entregado ao acaso.

Tinha tanto para lhe mostrar, de meu mundo triste.
Tantos poemas tolos, tantos versos pobres;
Amigos ébrios, sons do choro de meu violão;
Meus planos, que se perderam;
Meus amores, que se esqueceram de mim;
Tantos de mim mesmo, que me acompanham...

E você?

É...
Você tinha muito desses poucos anos para me preencher.
Tinha muito desse "gostar puro”, dessa lascívia ingênua,
Desse mel que vicia, dessa alegria que contagia...

Oh! Seriamos a soma de opostos!

E a sua luz invadiria a minha treva;
E minhas canções lhe embalariam no quarto a noite;
Sua dança nos embalaria por entre sonhos, planos e desejos;
E a minha carne arderia a sua;
Minha lágrimas molhariam seus sorrisos;
Seus beijos calariam meus medos;
Seu afago acalentaria esse coração de poeta.

Mas isso tudo pode não ser!
Isso tudo, talvez, nem exista.



- E se tudo não passar d'uma ilusão,
Dessa alma, que só acalma quando escreve?
- E seu meus amores forem tolos e em vão,
Da loucura desse coração que'inda ferve?


Créditos para os ajustes ortográficos ao meu professor de poesia
Lininha Barba

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eu

Cansei dos versos sobre minhas dores,
Minhas alegrias, tristezas e meus amores.
Cansei de dizer que eu amo, que eu rio,
Que eu tô certo, que eu me engano.

Vou versar agora sobre você, sobre ele,
Sobre qualquer.
Quem passa na rua,
Quem dorme no hotel,
Quem come na esquina,
Quem entra no carro,
Quem sai da estrada.

Vou versar sobre teus sentimentos,
Quero saber o porquê dos teus atos.
Se gosta de arte, se gosta de Tom,
Se lê poemas, se assiste ao jornal.

Quero saber pr'onde irá daqui a um ano,
Quais teus medos, quais teus planos.
Quero saber quem você é, o que você faz.
Quero saber de fora pra dentro, de frente pra trás.

Quero saber se gosta de mim,
Se sabe quem sou,
Se sabe o que eu sinto,
Se sente por mim,
O que sente por mim,

É de lá pra cá,
É daí pra mim,
É você e eu,
Sou mais eu,
Enfim.

domingo, 29 de março de 2009

Elegia dos Poucos Anos da Mulher Amada

E sorvo, desses lábios, a juventude perdida nos idos tempos,
Os contornos das curvas,
Mais os detalhes do corpo
Me levam por caminhos de sonhos antigos,
Desejos meninos, amores em vão.

Ah! Quanto desejo se encerra nesse corpo tão pequeno!

Pesado fardo da mulher querida,
Que carrega, em teu âmago, o desejo e a volúpia
De tantos eus, de tantos vocês.

Oh! Se ela soubesse que não é de atos que meu prazer se nutre,
E, sim, da beleza simples dos movimentos simples.
Palidez virgem de teus inexplorados caminhos...
Anseios, ânsias e aspirações de menina nova!


Não quero sugar de ti esse frescor dos poucos anos de vida.
Não quero envolver-te nos malditos afãs dos homens de carne.

És bela e pura,
E, por somente isso, desperta-me tanto desejo!
E, por somente isso, desperta-me tanto medo!
E, por isso, tão somente, é que te envolvo
Nas tramas de meu engano ledo!

domingo, 22 de março de 2009

O Homem Quando Dorme

O sono profundo
o desliga do mundo
o corpo valente
se faz moribundo

A musa distante
de olhar penetrante
adentra sua mente
é sua no'instante

patrão que gritava
"J'ão pegue a enchada"
perdeu sua patente
que foi rebaixada.

O arroz com feijão
Com o prato na mão
Ficou diferente
Não senta no chão

O homem no sono
É o rei do seu mundo
Sem chefe, ou gerente
Em seu sono profundo

quarta-feira, 18 de março de 2009

E ela passou

Vê como anda esse desdém
Vê como passa esse meu bem
Que vai, e joga seu vintém
Se dá a todos, e ninguém

Ah! Como ri os lábios belos!
E cintilam olhos gris!
E num toque, o meu flagelo!
Dei-lhe tudo, mas não quis!

Se as curvas belas, entornadas
Sentisse o'ardor de minha tez
Quem sabe como namorada,
Eu a tivesse outra vez

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Desenho de Giz

Quem quer viver um amor
Mas não quer suas marcas,
Qualquer cicatriz?

Ah! Ilusão, o amor
Não é risco na areia,
Desenho de giz.

Eu sei que vocês vão dizer:
A questão é querer,
Desejar, decidir.

Aí, diz o meu coração:
Que prazer tem bater,
Se ela não vai ouvir.

Aí minha boca me diz:
Que prazer tem sorrir,
Se ela não me sorrir também.

Quem pode querer ser feliz,
Se não for por um bem,
De amor?


Autores: João Bosco & Abel Silva
Música e Letra

Não me pergutem o que é, somente escrevi

Onde só ouvisse o eco dos meus pensamentos
E de lá de dentro, não desejasse mais sair.

Viveria a me alimentar de sonhos, desejos, e lembranças
Não ousaria mais ansear, desejar, almejar




Queria viver a vida dos meus poemas
Que vem quando querem, e nunca se despedem
Queria encantar assim como meus versos
Tão tolos, tão simples, tão tristes, como eu

A liberdade das minhas lágrimas
que derramo ao escrever
me despertam o alívio de saber que, pelo menos,
algo em mim pode agir ao seu modo

Sem preocupar-se com nada, além de si mesmo.


Queria ser vida, ser dia, ser todos
Estar pra todos...

Mas de tanto querer,
meu querer é triste,
e a contra-gosto
prefiro ser só.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Conjecturas

Haveria de haver mais de uma vida
Pra que eu me enjoasse de viver
Haveria de haver mais de uma morte
Pra que eu me acostumasse a morrer

Haveria de haver mais estrelas no céu
Para que eu as deixasse de contar
Haveria de haver menos fases da lua
Pra que eu a deixasse de gostar

Haveria de haver apenas sol durante anos
Pra q'eu esquecesse das noites
Haveria de haver os prazeres mais mundanos
Pra q'eu não lembrasse dos açoites.

Haveria de haver só venturas já vividas
Pr'eu curar minhas feridas
Haveria de haver menos dúvida, mais certeza
Pra que vida, inútil seja

Haveria de haver só vazio em meu coração
Pra que dor não mais viesse
Haveria de haver só desejo, ilusão
Pra q'eu nunca mais quisesse

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Cara Qualquer

Sou um cara qualquer.
Não tenho tiques,
Não tenho cicatrizes,
Nem marcas pelo corpo.

Meu cabelo é normal,
Minhas roupas são simples,
Meus hábitos são comuns,
Minha rotina é banal.

Não faço questão que me notem,
Não quero que me achem legal a tôa,
Não me puxem assunto vazio
Não me venham com conversa fiada.

Eu quero coisas reais,
Sentimentos verdadeiros,
Pessoas que existam de fato
Pensamentos, idéias, ideais e sonhos.

Eu quero amor de amigo,
Quero amor de irmão,
Sentir amor de família,
Viver de amor de paixão.

sábado, 17 de janeiro de 2009

7 Estrofes

Passam-se dias, horas
e o tempo é o mesmo

Passa-se vão, a esmo
Lá fora, e agora

E se dia chove, e a noite cai
Mais uma folha, calendário sai

E já no chão, folhas tão caídas
Sopra-me o vento das lembranças idas.

Mais um delírio, um suspiro em vão
Mais uma noite, em meu coração.

Mais uma luta, e a derrota vem
Somente o afago, eu pedi d'alguém

Mas hoje só, meu caminho eu sigo
Caminho e trilho, o amor persigo.