sábado, 27 de dezembro de 2008

E só

ando apaixonado por tantas
ando apaixonado por todas
ando apaixonado por qualquer uma
ando apaixonado por tão pouco
ando apaixonado por nada
ando apaixonado por ela
ando apaixonado por elas
ando apaixonado e só

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Apenas uma noite

Promíscua noite de desejos.
Insano momento de um mero afã
E os desejos se tangem em carne,
Sons, e gemidos dispersos no instante.

No ardor do prazer profano,
A lasciva rosa desabrocha,
Em doces pétalas rubras a cair,
A espalhar-se sobre meu corpo.

No curto instante de um gemido,
No longo momento de um silêncio,
Nossos olhos se cruzam,
O arfar cessa,
E desfalece o desejo motriz.
A mover nossos corpos nús,
Juntos,
E violados.

O efêmero prazer d'uma data a ser apagada.
Mas não por ela, que a rosa mantinha imaculada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Você Abusou

"Que me perdoe, se eu insisto neste tema.
Mas não sei fazer poema, ou canção,
Que fale de outra coisa que não seja amor.

Se o quadradismo dos meus versos, 
Vai de contra os intelectos,
Que não usam o coração como expressão 

(...)

Mas não faz mal.
É tão normal ter desamor.
É tão cafona, sofredor.
Que eu já não sei se é meninice,
Ou cafonisse o meu amor."



José Carlos Figueiredo, 
António Carlos Marques Pinto
José Ubaldo Avila Brito

Perambule

Siga andando até o Japão,
Vire a esquina, a contra-mão.
Navegue milhas sobre o mar.
Siga as ondas e o luar.

Vá andando bem sem rumo,
Caminhando sem destino.
Não se guie pelo prumo.
Vá se indo qual menino.

Não se importe onde chegar
Até se perca no caminho
Pois, pior que não achar
É ver o mundo, e ser sozinho.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Coração

Coração não tem cerébro.
E se tivesse não seria coração.
Pois do amor não se pensa,
Não há cuidado, nem razão.

Coração é desvairado.
Não se prende a conselhos.
Não conhece o que é cuidado.
Nem se olha no espelho.

Coração é teimoso.
Sempre faz o que quer.
Esse pequeno ser tinhoso.
Se dá  pr'algum qualquer.

Coração de aventura,
Se cuida um pouquinho.
Mais uma desventura,
Vai-se acabar em caquinho.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Trecho

Ela é isso,
E quase nada

Ela é tudo,
E nada disso

Uma ninfa
Uma fada

Ela é um anjo,
Ela é um bicho

E como diria Paulinho da Viola

Meu Mundo é Hoje

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim.
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.

Tenho pena daqueles que se abaixam até o chão,
Enganado a si mesmo por dinheiro ou posição.

Nunca tomei parte deste enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.

"E vê quantas coisas eles dizem, que eu não digo"

Quantos pensamentos desejosos !
Quantos atos evitados !
Quantos sentimentos ao mesmo tempo !
Quantas palavras caladas !

Mas elas não dilatam...

Se conseguisse ler meus pensamentos,
Se conseguisse entender essa cabeça,
Se conseguisse decifrar os meus enigmas,
Se conseguisse desatar esses nós,
Se conseguisse enxergar minhas estradas.

Mas elas não dilatam...

Esses olhos que te acompanham,
Esses olhos que te admiram,
Esses olhos que tanto sentem,
Esses olhos que pouco demonstram,
Esses olhos e suas pupilas.

Mas elas não dilatam...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Quem é que pode?

"Stop this train, I wanna get off and go home again"
John Mayer - Stop This Train


E quem apertará o gatilho da arma apontada para a cabeça do próximo?

Quem vai ser aquele que vai poder acusar, sem parcimônia, o outro?

Quem vai ter a moral, de dizer que estamos errados?

Nesta brincadeira de hipocrisia, estamos todos armados com nossas armas carregadas de acusações, e apontada para o rosto do cara aí do lado.

Mas ninguém atira, ninguém dispara.

O colete da hombridade e dos valores reais, como a amizade, o amor, a verdade, etc... foi jogado de lado...

Estamos todos nús, apontando, e sendo apontados.

Mas, ninguém dispara...

Mas, ninguém diz pára...

Ninguém disparará...


Ninguém diz parará um dia sequer, um instante...

Ninguém, nem eu!

[sem título 1]

Falta vida em nosso tempo.

Horas passam tão vazias.

Dias longos atrevesso a passos curtos

Lembro o passado, penso o futuro.

O presente, é nulo, em branco.

Vazio de agora, parece-me o vazio de sempre.

Tempo vago, vago pelo tempo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O verdadeiro amor

A gente nunca esquece,
Nunca apaga, nunca deixa.
Por mais que os anos se passem,
Por mais que  camadas e camadas de histórias o soterrem,
O verdadeiro amor a gente nunca esquece.

A gente somente se destrai,
A vida destrai a gente.
E a gente se destrai com a vida.

O amor?
Está lá, sempre.
Pronto pra te pegar,
Quando você menos espera.

Segundo minha prima:

"tirando a sua forma exagerada
de considerar amor e poesia em tudo,
vc é tão canalha, quanto eu, nas outras coisas!"

sábado, 15 de novembro de 2008

Reflexões

Existem momentos que eu entendo as coisas tão bem,
Que acho que no fundo, no fundo, eu não estou entendo nada.

E existem outros momentos, em que eu entendo tão pouco,
Que tenho a certeza absoluta que eu já sei tudo o que está acontecendo...

"Quem é essa mulher"


Quem vai ser a próxima a me deixar de joelhos?

Que me fará sentir medo, tremer de nervoso, chorar de raiva?

Quem vai ser a próxima a me mostrar novas músicas?
Novos lugares, novas pessoas, novos sabores?

Quem vai ser a próxima a me embalar em teu colo?
A cantarolar as canções, a declamar meus poemas?

Quem haverá de ser a companheira, confidente?
A parceira, a esposa, a amante indecente?

Quem ouvirá minhas lamentações, meus conselhos?
Minha voz embriagada, meus sintomas mais faceiros?

Quem me mostrará as estrelas, no silêncio da noite?
Deitada em meu colo, encaixada em meu peito?

Quem vai ser essa mulher, essa garota, essa menina?
Quem trará a minha calma,
Mudará minha vida,
Cessará essa rotina?


Quem?

Quem?


Quem?

Ou...

Numa entediante madrugada de quinta-feira
Com a vida transbordando na rua
Me encontro encerrado num apartamento
Assistindo as horas da noite passarem em frente à tv.




Eu vou partir para o nada

Vou jogar a toalha
Vou tirar meu time de campo
Vou me embalar noutra balada
Vou me encerrar numa fornalha
Me esconder n'outro canto

ou

Eu vou mudar o discurso
Vou mudar o meu curso
Vou calar as palavras
Aprender outras línguas
Visitar novos mundos
Desenhar outras cores

ou

Vou me lançar no escuro
Me perder no caminho
Vou andar pela rua
Sem ter rota, ou destino
Vou traçar novas retas
Vou virar outras curvas

ou

Vou pensar mais um pouco
Rever meus conceitos
Desfazer conclusões
Bater no meu peito
Parar de ilusões
E dizer que te amo...

Campinas - 14/11/2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Tempo, Tempo, Tempo

Quanto tempo?
Pra vida?
Pra morte?
Pro amor?
Pro ódio?

Quanto tempo?
Resisto?
Desisto?
Cansado?
Calado?

Quanto tempo?
Eu levo?
Eu tomo?
Eu tenho?
Eu perco?

Quanto tempo?
Eu choro?
Eu rio?
Eu escuto?
Eu falo?

Quanto tempo?
Que falta?
Que resta?
Que sobra?
Que raiva!!!

domingo, 9 de novembro de 2008

Meus versos, meu caro?

Meus versos andam sambando pela vida
Andam bebendo pelas esquinas
Estão dormindo com as meninas
Vão seguindo a sua sina

Meus versos se perderam na alegria
Se embriagaram na orgia
Se lançaram em picardia
Não os vejos já faz dias

Se desgarraram de mim
Lançaram mão desse rapaz
Estão agora, mais para Jobim
Só querem saber de Amor em Paz

E eu?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quanto

Quanto mais leio, mais menos os meus versos são
Quanto mais eu tento, mais pobres meus versos são
Quanto mais eu sei, mais pobres meus versos são
Quanto mais chuva, mais pobre fica meu verão

Quanto mais triste, mais belos meus versos ficam
Quanto mais burro, mais belos meus versos ficam
Quanto mais ruim, mais belos meus versos ficam
Quanto mais de mim, mais bela, filosofia vã

Quanto mais eu amo, mais amor tenho pra sofrer
Quanto mais eu choro, mais alegrias tenho pra doer
Quanto mais eu grito, mais silêncio tenho pra escutar
Quanto mais eu procuro, mais nada eu tenho pra achar

Quanto mais escrevo, mais versos me desaparecem
Quanto mais eu canto, mais versos me desaparecem
Quanto mais eu falo, mais versos me desaparecem
Quanto mais eu ardo, mais tardes se anoitecem

Quanto mais parado, mais o mundo gira em meu redor
Quanto mais andado, mais o mundo pára ao meu clamor
Quanto mais se arrasta, mais o mundo teme o meu temor
Quanto mais eu mundo, mais o mundo muda, mais o mundo amor.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

distrAÇÃO

Sinto a boca salivar
salívio de estar a sós.

Sinto o gosto da boca
Bocabou de beijar o lábio.

Sinto o tempo que passa
Passárgada onde estás?

Sinto a vida a me invadir
Invadói sua força.

Sinto a alegria de ser
Serpente de cabelo.

Sinto a tristeza de estar
Estaria pra você agora.

Sinto palavras
Palavras, tú, a minha vida

Sinto, sinto, sinto
Sintomas porquê sou só?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Por favor a saída...

João gosta de Maria, que gosta de Paulo
Mas se eu fosse Paulo, Maria gostaria de João.
E se João fosse Paulo, Maria não gostaria de ninguém.

Essas coisas nunca são fáceis, nem nunca vão ser.
Me pergunto o porquê disso tudo.

Onde fica a tecla eject?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MonoCor

A monocromia nipônica, de fato, mas fascina.
O belo desfilar de suas alvas cores, me atordoa.
Vejo o branco claro de seus sóis,
O claro branco do seu dia-a-dia,
De suas mulheres,
De seus homens,
De suas crianças.

A triste agitação desses "tons" de branco.
O melancólico gargalhar dessa palidez alva.
O claro bege claro, de suas tez empalecidas
Pelos raios alvos claros de seu sol nascente.

Vai ver, a fulgurante monotonia dos trópicos,
A profusão de cores e tons,
Exalado pelos sons,
Pelos ares,
Pelos gostos,
Pelos olhos,
E principalmente,
Pelas peles desse povo,
Seja mesmo a imagem dessa desorganização.

Vejo essa bagunça,
No caminhar de uma bela mulata,
No cantar de hipnotisante de uma sereia Iara,
Na turva visão de suas ruas em tons de escuro.

Vejo a bagunça,
Nos sabores de tua mesa,
Nos acordes de tua música,
Nos batuques de seus terreros,
No lamento de seus morros,
Nos tristes pesares de teus sertões.

É tudo muito bagunçado aqui "do outro lado".
(Re)Vendo bem, a inútil chatice organizada,
De terras nipônicas, realmente me fascina.

É por isso que quem vem,
Quer voltar. E quem vai,
Realmente sente falta.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A carta

Algum dia, de algum mês, de um ano que eu já perdi a conta.


Lá fora o frio é paralizante e a neve já cobre as janelas da casa. Já não vejo mais o dia, nem sequer vejo a noite. Aqui dentro, na solidão de meu eu, as horas passam tristes e lentas, nelas eu continuo me arrastando. Não faço questão de saber se estou dormindo, de saber se estou acordado.

Meus suprimentos já estão acabando. Já não sei mais o que falta pr'eu viver, nem o quanto falta pr'eu morrer. A época do desespero foi embora. Já não grito, já não debato, já não reclamo. Ninguém vai me ouvir. Daqui de dentro, provavelmente, não sairei.

Um dia desses ouvi um som vindo de fora. Não lembro quando. Não sei se faz tempo ou se não faz. Sei que me tomou de súbito uma alegria. Eu pensei em gritar, eu pensei em correr, em viver. Mas, ninguém respondia aos meus sinais. Ninguém via que daqui de dentro eu estava morrendo.

Sentei de novo na minha cadeira, abri de novo meu velho caderno, peguei de novo a velha caneta e escrevi sobre a rotina de mais esse dia que passou.

Agora estou aqui, a luz da vela acessa,
Meus papeis e minha vida sobre a mesa
Os meus dias, e a rotina sempre a mesma.

Até quando?
Até quando?

Quem será que vai morrer primeiro?
Eu, ou a minha solidão?


Uma carta de autoria desconhecida,
de alguém perdido ou muito triste

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Planto sonhos.
E colho decepções.

Tem alguma coisa errada
com este solo, ou com estas sementes!!!

[sem nome]

Minha vida parou.
Não desenvolvo.
Não caminho.
Não vivo.

Estou estático.
No tempo,
No espaço,
Na vida.

Não sei o que procurar,
Não sei se devo procurar,
Não sei o que quero achar.
Não sei se devo achar.

Não sei pr'onde apontar
Minha arma,
Minha alma,
Minha vida.

Faço perguntas,
Não há respostas.
Encontro respostas,
Para perguntas que não existam.

Escuro, incerto e errante.
Esse é o meu futuro.
Esse é o meu instante.

sábado, 11 de outubro de 2008

E se um dia perguntarem:

" - Quais as tuas influências?"

" - Certos poetas dos quais, eu, não recomendaria o convívio"

" - Mas, por que?"

" - Não são boa companhia, pois, fumavam, bebiam..."

E a plateia em coro:

"- E gostavam de poesia!"


Um brinde a uma velha e boa amizade!!!
p.s.: Acho que estou lhe imitando.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Balada do Caos

Caos,
o mundo debela,
rebate,
agita,
bagunça,
a desordem,
instalada.

Meus olhos,
percebem,
enxergam,
reparam,
deformam,
destoam,
a vista,
nublada.

A boca,
balbucia,
suspira,
murmura,
canta,
fala,
e mantem-se,
calada.

E eu,
no fundo,
olhando,
calando,
pensando,
sou nada.

domingo, 5 de outubro de 2008

Bússola

Minha esquerda é na direção das horas
Que me apontam o som das canções (que jamais farei)
E dedilham em meu cérebro os versos
De minha rotina.

O meu norte, direciona a minha vida
Para a direção dos ventos.
Que uivam doces sonatas,
Das pobres cores já envelhecidas.

A bombordo, vocês enxergam um coração
Cheio de lágrimas derramadas
Pelos caminhos percorridos nas noites
Altas e ensurdecedoras de silêncios lunares.

E no centro, vejo o corpo encolhido
No lado desse nada que preenche
A parte de cima que transborda triste
A felicidade que um dia quis pra mim.

Como podem ver, minhas direções são tão claras
Como as noites de lua nova, num campo distante.
São definidas como o tênue limite do amor e ódio
E são fracas, como os montes mais altos
Que nunca quebram
Nem nunca vão descer.

É por isso, que me encontro em cada curva.
E me perco em cada reta.
Vago tanto pela vida
Sem ter rumo, ou via certa.

Auto - Conselho para vocês.

Ao espelho nunca se ama...

O amor de outrora?
Eu nunca esqueci o maior deles...

Um dia eu acordei e pensei:
"Tô vivo ainda, e tem gente lá fora"

Aí ví, que o mundo tem um norte,
um sul,
quem sabe outros lados?
Direita, em cima... e tantos outros.

Curti minha tristeza, e fiz dela os versos de meus poemas...
Hoje de vez em quando eu visito ela, pra versar mais da vida...

Viver só, é como se viver em vão...
Mas temer amar, é como não ter vida...
E não querer viver é não amar o que se é.

Triste, só, e simplesmente, vc...

Mais uma conclusão !!!

Música...
Minha frustração é ela.

É realmente triste!


Não é possível combinar
letra, melodia e acordes.

É mais indomável que o amor.
Mais inconpreensível que eu mesmo.

Lanço versos tão bonitos em meus poemas,
Faço rimas tão singelas...

Mas a música?
A música?

Me derrota.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Conclusões

Minha fase é uma:
A vida.
Meu rumo é único:
A morte.
Minha dor é dela:
A sorte.
O tempo, se dura?
Ventura.
Meu peito se encerra:
Na guerra.
A mente, vazia:
De dia.
Coração, açoite:
De noite.

Se amo não sei.
Se corro não sei.
Se morro bem sei.
Amor, eu terei.

Disconexos

Palavras
só palavras
vã palavras
vastas

Poesia
são pequenas
tão amenas
são baladas

A vida
que aqui passa
só disfarça
o quanto doi

domingo, 28 de setembro de 2008

Vida Moleque...

O moleque cresceu no meio dos bambas,
nas rodas de samba,
nos terrero de umbanda,
numa lida profana,
que a morte engana.

Era temido e amado,
Do povo, e além deles.
Querido, e chutado.

O corpo fechado
Ficou respeitado.
E dos santos sagrados
Virou o guardado.

Porém, por ser má
A vida, engana.
E por causa da fama,
Ousou blasfemar.

Dos santos cativo,
O moleque atrevido
Não quis se abaixar.

Ergueu a cabeça,
Batendo no peito.
O moleque sem jeito,
Pensou que era rei.

Porém rei ele n'era.
Pois rei só é santo.
E o santo na fera,
Judia o infanto.

Moleque gritando.
Os santo grampeia.
Os berro, no'entanto,
de nada os arreia.

Moleque fugindo.
Subiu a escada.
Berrou lá de cima.
Mas não era nada.

Por fim não se sabe
O fim que se deu.

Se o pobre moleque
Morreu pela fera.
Ou se ficou pela terra,
Pensando que é deus.

Era um dia desses...

e no triste poente
de um sol num domingo.

refaço lembranças,
regresso ao passado.

revejo crianças,
num chão já cansado.

nas ruas por horas,
descança a paz.

brincando de bola
tristeza ali jaz.

velhos cansados da vida já ida
senhoras versando de suas comidas.

a brisa que é leve, e lenta que passa
disfarça que toca a face da terra.

que num grato gesto se curva e abre
em meu coração uma enorme cratera.

e no por do sol,
de um triste domingo.

lágrimas descem,
me sinto sorrindo.

Breve

E pra ser sucinto.
Não minto,
O que sinto,

E se disser que amo.
Engano.
nem gosto, nem quero, nem vou.

Mas pra ser sincero,
desminto...
e muito te quero,
(ainda) .
cuidado!
(ainda).

Auto-explicação

Meus poemas?
pequenos,
terrenos,
amenos,
sem cor.

São horas,
tardias,
vadias,
banhadas
na dor.

É fato
q'eu gasto,
debato,
e rebato,
o rancor.

É ânsia,
que sinto,
que quero,
que espero,
do amor.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O Homem Bomba

E eles são como uma bomba
Que carrego em mim
Assutam, pois são instaveis.

Já fui bem aventurado com eles,
Mas também, já sofri demais por causa deles.

Já me negaram,
Já os negaram,
Já elogiaram,
E até disseram que era lindo.

Mas quem eu realmente queria,
Se esquiva, tem medo,
hesita.

Eu fico aqui,
Com todos eles
Calando,
Guardando,
Dopando,

Meus sentimentos,
Minha bomba.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quanto tempo os sonhos aguentam, as torturas da realidade de uma vida?
O quão forte é um sonho?
Quão forte é a vida?
O que se faz mais premente, viver a vida, ou sonhar a vida?
E quando tudo acabar, quem vai me dizer dos meus sonhos?!
E ao final da vida, valeu a pena vivê-la?
Como posso tanger os dois, os sonhos e a vida?

Deus...!!!
O que eu faço com tudo isso?!?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Passando!!!

Passa dia
Passa feira
Passa noite
Passageira.

Passam horas,
E instantes
Passam ruas
Ambulantes.

Passam sonhos
E remorsos
Passo, penso
Penso, posso.

Passa amor!!!
Amor não passa
Passa dor!!!
Ela não passa.

A alegria
Quando volta?
A tristeza
Quando sai?

Pedaços

São pedaços de vida.
Dos quais eu me alimento.
São pedaços de amores.
Donde vem meu sofrimento.

São pedaços de lembranças,
Que ainda insistem e ser felizes.
São pedaços de ilusões,
Que se desfazem em seus matizes.

É a minha vida dividida em vãos momentos
São minhas alegrias, tão intesas, tão pequenas
É a minha tristeza, tão sutil, e insessante
É o meu dia-a-dia, tão somente, e apenas.

Esse é o meu mundo,
Minha lida, meu distino.
Ser só, é o meu caminho
Minha sina, eu sozinho.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Introdução... Para o post abaixo...

Esse mundinho de aparências, estilo e atitude
Tem me enchido o saco.
É tanta gente te olhando, te analisando, te julgando.
"Ai, como você é estranho!"
"Ai, como você tá bem!"

O cara passa, e logo comentam:
"Isso que é atitude, viu aquele cabelo?"

Velho, a atitude tá no cabelo agora?
Na roupa, na marca?
O que que o cara pensa?
Não importa?
Ah! Vai se catar...

Que mundinho...
O pior é que não tem como pular dessa nave...

Minha Atitude...

Eu não quero ter estilo.
Eu não quero ser estilo.
Não preciso parecer.
Sou, e pronto.

Meu estilo não transborda em minha roupa.
Não se enxerga em só me ver.
Meu estilo é bem mais do que se vê.

Você é o que você ouve.
Você é o que você veste.
Você é o que você faz.
Eu sou o que eu penso.

Não se achegue pela aparência.
Não atraio pela aparência.
Não escolho pela aparência.
Não baseio em aparência.

Sou assim, franzino, simples,
Bobo, chato, sem graça.
Sou assim, sem muito charme,
Sem muito "Q", sem muito nada.

É pra afastar,
É pra manter longe.
Não faço pose,
Não faço tipo.
Não me perfaço.

Se quiser me conhecer,
Descubra-me além do que se vê.
Caso contrário...
Vá procurar estilo.
(Em outro lugar)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nossas (Não) Vidas

"E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredit
o"
Ideologia - Cazuza

O sonho vazio que me vendem,
É o vazio da vida de um ser que não existe.
É o seco dia-a-dia da uma história sem enredo.
É um destino já escrito, por quem não conhecemos.

A vida que eu sonho,
É o plano das cabeças numa sala.
É o desejo do dinheiro em um cofre.
É a marca das pessoas que me vendem.

A minha felicidade tem um preço.
E por tê-lo, é tão barata,
É tão inútil, é tão mesquinha.
A minha felicidade eu compro, não sinto.

O meu querer é o que eu não quero.
Desisti de ser, hoje sou o que eu quero.
Se quero ser, devo negar a mim mesmo.
Devo comprar o que sou, como sou, e quando sou.

Não me visto mais pra mim.
Aliás, nem me visto mais.
Ontem me vi na televisão.
Amanhã quero me ver como nos jornais.

Deixei também de pensar.
Pensando bem, pra quê?
Já me pensam, já me sabem,
E já me deram a resposta que eu não preciso.

Se bem que, eu preciso tanto daquilo que eu não quero.
Preciso demais daquilo que eu não tenho.
Preciso muito daquilo que eu nem sou
Preciso imensamente daquilo que eu nem sei

Quem sabe sou um pote cheio de nada?
Que a cada dia, me enchem de mais vazio.
E quanto mais vazio vão me enchendo.
Mais diferente eu sou. Por ser tão igual.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

E se...

E se tudo não passar de uma brincadeira?
Sejamos crianças.
E se tudo isso for loucura?
Sejamos loucos.
E se tudo estiver errado?
Somos errantes.
E se no final não der certo?
Pago pra ver.
E se eu não aguentar?
Eu te ajudo.
E se eu chorar?
As lágrimas enxugo.
E se eu não puder?
Insisto.
E se você não puder?
Eu mudo.
E se eu calar?
Eu falo.
E se eu falar?
Eu sonho.
E se eu te beijar?
Levito.
Se eu te abraçar?
Desfaço.
E se eu ficar tonta?
Eu rio.
E se eu dormir?
Te olho.
E se descobrirem?
Já sabem.
E se eu quiser casar?
Tô pronto.
E se não for praí?
Eu vou.
E se eu for praí?
Deliro.
Não é a hora.
Espero.
E se eu disser que não
...

domingo, 31 de agosto de 2008

Conselho ao tempo

Santo tempo,
Sempre lento,
Como passam as tuas horas?
Por onde andam teus segundos?

Tempo lento,
Sempre Santo,
Por entre teus dias vou traçando,
As linhas tortas de minha vida.

Tempo, sempre
Lento e Santo
Na quimera de tuas horas
Minha história se deita.

Tempo, tempo
Sempre, sempre
Canto entre teus tics
E me calo durante os teus tacs

Lento, lento
Santo, Santo
Passa sobre mim as folhas de teu calendário
Me trás o dia que espero. A data, que eu quero.

Oh! Sempre Santo, Lento Tempo
Deixe-me trançar as linhas do teus segundos
Deixe-me descompassar o compasso do teu relógio
Deixe-me confundir as horas,
Me esconder dos teus meses,
Apagar-te os anos,
Refazer-me os planos,
Desfazer-lhe o sentido.

Corra sem destino,
Mova teus moinhos,
Bagunce meu mundinho,
Se perca do caminho.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

[Sem Nome]

Quero me apaixonar sempre,
E viver amando,
E por isso sofrerei.
E sofrerei mais,
À medida que esse amor for crescendo,
E amarei mais,
Quanto maior for a dor do amor passado.
Vim do amor,
Viverei do amor,
E morrerei (se for pra ser)
Do amor.


Em resposta a música de meu amigo
Gui Cachoeira, postada abaixo.

A.M.

Meu amigo moribundo,
O que leva desse mundo?
É amor maior que o peito que tens.
Meu amigo, seu caminho, sim, é feito de espinho,
Mas caminho sem espinhos, não tem.

Não chegaste a conhecer o infortúnio de viver.
E tens no peito a maldição do querer.

Vais sozinho a procurar o teu amor no mar.
Vais risonho, sim suponho, podes encotrar.
E atrás do velho monte do cartão postal,
Verás que seu desejo carnaval,
É só um peso nesse seu penar.

E amava ,sim amava,
Tão pequena amava,
Docemente a amava

Simplesmente amava,
E era infeliz
Como um pobre mortal.

Letra e música por Guilherme Cachoeira
Minha sina, transparece o coração.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Minha Odisséia

Nas brumas de um amor infante
Viajei por entre vales e rios
Vi a vida indo, vi os anos vindo
Ouvi tua respiração arfante

No bater das asas desse amor pulsante
Conheci os dias, amargurei derrotas
Me lancei em bocas, não dormi nas noites
E me perdi em mim, sem ti, em ti, por ti

Nos lábios tenros de fadado amores
Destrai as dores, me enganei paixões
Perdi as horas, anos se foram
A cicatriz amena, não sentia dores

Nos idos anos, pelos quais passei
Apaguei-te a memória, renovei as forças
Refiz os planos, reergui os muros
Desfiz as pontes, sem fazer barulhos.

Perambulante, só, perdido e ébrio
Saia a vagar a rua, tentando achar
Perdido que estava, não achava o elo
E padeci de lágrimas e sufoquei o choro.

E no cauduloso rio de águas tão barrentas
Mergulhava insano, e ao fundo ia
Na quimera insone de fugir do dia
Nada mais acenava, nem a paz nem sequer a brisa

E no tardar das horas, no mais profundo nada
Já sem lágrimas, sem amor, sem ódio, sem dor
Somente o corpo incólume, impávido e vazio.
Eis que surge a aurora, um novo raio de sol

Os olhos verdes da bendita amada,
penetram tão profundos mares, minas, covas.
E do nada renasce o sentimento ressequido
O amor inebriante, a vida fulgurante.

Derramas a luz do teu olhar, e semeia a terra
Que encerra a semente já exausta de amor
E com a voz a chamar meu nome, lenta, baixa
Aduba o coração apático, que outrora estático

É a profusão de luz, som, toques
É a epifanía de uma torrente insana
É a vida que retorna ao ser
É o ser que retorna a vida

Até quando, até onde, até como?
Isso é mistério profundo e distante.

sábado, 23 de agosto de 2008

Sem rima, sem rumo, sem nada...

Me fugiu a rima,
assim como me fogem as horas,
ou como fogem as idéias,
ou como me foge a vida a cada tic-tac do relógio.

Não consigo trazê-la de volta,
não consigo domá-la,
não consigo tê-la minha.

Ela vem quando quer,
Vai quando bem entende.
E sem ela eu sou apenas mais um.

Quando ela aparece, e eu consigo segurá-la
Escrevo poemas, cartas, músicas, amores,
Seja lá o que for. Eu faço dela o que quero.

Mas logo quando termino, ela me abandona,
Me deixa sozinho, somente e tão pouco.
E eu perdido comigo, me desespero.

Volta rima, vem e trás contigo a leveza de teus sons
a alegria de tuas palavras, ou a tristeza. Quem sabe?
Trás contigo a beleza que carregas pr'onde quer que vá.

E não me abandone, pois quero ser teu.
Teu poeta, teu aluno, teu rei, teu dono...
Sem pena, sem caderno, sem coroa, sem trono.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ah! Eu tento

Ah! Eu tento tanto
Não mostrar espanto
Não calar o canto
Não deixar o pranto

Ah! Eu tento de mais
Não perder a paz
Ser o mais vivaz
Não ser o "tanto faz"

Ah! Eu tento co'alma
Não perder a calma
Proteger a fauna
Não dormir na sauna

Ah! Eu tento fundo
Não sair do mundo
Não tocar o fundo
Não zombar do mudo

Ah! Eu tento a sorte
De não trombar co'a morte
De não perder o norte
De não brigar com o forte

Ah! Eu tento ao máximo
Não sujar o plácido
Desbancar o mágico
Me livrar do trágico

Pra quê?
Por quê?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Meu Barco, Vida.

Minha vida era um barco sem rumo,
perdido no mundo, em rota de colisão
com o nada, com o vazio, com o escuro.

De dia, minhas horas eram longas,
escuras,
tristes,
mortas.

De noite, a minha lua
nua, e eu ardia ante a sua imagem
cinza, polida.
E eu a flanar sob sua luz
Me perdia, sem querer me achar.

Passaram-se dias, meses, anos
Até que eu tive um sonho
Ah, sonho!
lindo, calmo
passei dias a sonhar,
perdi madrugadas envolvido nesse delírio,
senti cheiros, gostos, toques, lábios, mãos, lágrimas, batidas cadentes de dois corações na mesma frequência.

Uma torrente de desejos, atos, gestos, sons esparços baixos.
Hesitações, desvairío, a lascívia e a santa lei casta.
Vastas,
Tentei romper-lhe a bata,
Saciar-nos em ti.
Tentei parar as horas, tentei atrasar a vida,
Deixar o futuro, viver no presente, sempre, pra sempre.
Nunca, voltar, ir, partir, NUNCA.

Sonho, como sonho era
Teve fim, que ecoa como a derrota

Como a perda de algo que não tive
Como chance que não foi me dada
Como a fé naquilo que não se vê.

Meu barco sem rumo, agora persegue
Um sonho, uma noite, um dia
Uma vida, quem sabe: você.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Certas Indagações sobre amizades, amores, a vida"

De que vale sonhos, planos?
Se não arriscamos.

Se não arriscamos um sorriso sincero
Numa amizade de bar?

Se não arriscamos, quem sabe, uma lágrima e seu real motivo
Ao companheiro mais próximo, o que se fez preocupado?

De que vale amar, amar, amar?
Se depois deixamos de sonhar. E os planos,
Como bolas de papel, são lançados a lixeira.

De que vale tanta cerveja, tanta caipirinha, tanto bilhar?
Se no fim de tudo, uma seção de vã sinceridade
Meia-dúzia de palavras ácidas, "certas considerações",
Derrubam tudo por água a baixo.

E o poema, e a música, e a tristeza?
Já que todos estão tristes, só,
Sem amigo, sem amante e longe.

Que derradeiro fim, para uma amizade tão fértil!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mundo, bola azul.

"O meu tempo é quando"
Vinícius de Moraes - Poética

Vasto mundo.
Bola azul que gira.
Frio nos pólos.
Quente dentro.

Bola azul que gira.
Gira é dia,
Gira é noite,
Gira é ano.

Vasto mundo.
Ora inverno,
Ora gelo,
Ora suo,
Ora chove.

Roda mundo!
Nossa vida junto.
Tempo passa.
Mundo roda.

Gira louco, gira doido!
Pr’onde vai assim girando?
Onde estás em meio ao nada?
Onde fico com isso tudo?

Gira mundo, gira.

Já conheço os passos dessa estrada...

(...)E sei também que ali sozinho eu vou ficar tanto pior
O que que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E que no entanto, volta sempre a enfeitiçar(...)

(...)Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara(...)

Retrato em branco e preto - Tom Jobim e Chico Buarque


Eu me entrego nos olhares,
Nos meus atos, nas piadas sem graça,
Me desarmo, me dispo, me perco em tudo.

Não me disfarço, não me preocupo,
Não faço questão, não faço nada que não quero,
Não penso em falar, não penso em calar.

Vou me perdendo, e se não me pára, eu continuo.
E se eu continuo eu vou te achando.
E se eu te achar... Ahh !!! Você se perde.

Não tremo de frio.
Não suo de calor.
Quando triste, te choro.
Quando feliz, te beijo.

E mais uma vez, voltas a ser.
Ser dia, ser noite, ser sono,
Ser tudo, ser nada, ser linda,
ser toda, e nunca ser minha.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Oh, sim... eu estou tão cansado...

Mundo,
Mundo,
Raimundo,
Fundo,
Mudo,
Fujo,
Murro,
Burro,
Burro,
Muito,
Burro.



Me encontro um tanto quanto, bem mais tanto,
Pra baixo, cansado, empanturrado de tanta realidade,
De tanto nada, dessa malfadada vida que se impõe sobre mim.
Será que alguém pode avisá-la que eu não quero, que eu não gosto,
Que eu não tô afim ?

Quero amar, não posso.
Quero sonhar, não posso.
Quero brincar, não posso.
Quero, quero mas não posso.

Tem que ser sério, tem que esperar, tem que aguentar,
Tem que, tanta coisa, que eu já nem tenho tanto o que ter.

Só queria não querer, não ter que ser, não ter que fazer.
Só queria viver, amar, gozar, brincar... morrer.

sábado, 19 de julho de 2008

Cálido Adeus

Meu amor, mais do que tí sou eu
Pois somado a mim,
Há um coração que é só teu
E por ter você dentro dele,
Mesmo sabendo que não pode
Ele se enche de alegria, tristeza e dor.
Por fim, explode.
Escrito por F.F.F. em 28/01/2005




Naquele dia a noite veio escura,
Silênciosa e triste.
Sem mais, a lua subiu ao céu,
Mas era pequena, fraca e fria.
As estrelas não mais trilintavam,
Seu brilho era formal, não mais que isso.

O frio veio também. Há tempos não se via,
Noite tão vazia, tão murcha e tardia.
O silêncio emanava um som abafado.
Senti o gosto amargo dos teus lábios.

Senti que não me desejavas mais,
Senti o protocolo dos teus gestos,
Senti a indiferença dos teus gemidos,
Até o gozo foi alheio, pertubado me deixando.

Lhe afaguei o rosto, senti a temperatura do desprezo,
Tentei falar-te mas minha boca teve medo,
Senti então que era ali, naquele momento.
Não à tinha mais, talvez jamais à tivesse tido outrora.
Na certeza de jamais tê-la de novo, parti sem olhar,
Sem lhe dar o último adeus, sem lhe deixar o derradeiro beijo.
Escrito em 19/04/2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Coleção de Quadros

"Just keep me where the light is"
Gravity - John Mayer



Trago mais um quadro para minha coleção.
Minha pinacoteca está ficando grande e cheia de quadros.
Mas há algo em comum em todos os mais recentes.
Não sei se cores, se o ambiente, ou a técnica.
Mas todos são tristes! Começam com tanta graça, alegria e paz.
Mas no fim. Todos são tristes.
São azuis, acinzentados, uma aura pesada.
Um clima ruim, um sentimento de derrota nos desperta.

O tema é o mesmo, o Amor... No princípio leve, branco e calmo.
No fim doloroso pesado e triste.
Cada quadro, uma história, cada história uma derrota.
E quanto mais derrota, mais quadro neste quarto.
Já não o visito mais, deixo-o apagado, escuro.
Não visito mais a minha sala de quadros.
Os quadros são tristes e ao vê-los um-por-um
De novo sinto medo de chorar.

Posso borrar as pinturas, posso estragar minhas obras de arte.
Só as visito em dias como o de hoje.
Quando entro, acendo a luz e deixo mais uma obra triste e dolorosa,
Entre tantas outras memórias de um passado presente,
Que custa a se tornar uma história distante.

Vou sair e mais uma vez apagar as luzes.
Trancar a porta e começar uma nova pintura.

Escrito em 11/11/07.


Fases tristes de minha vida;
Mais um dia onde a alegria se esqueceu de aparecer.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

...

Dizem que há gozos no correr da vida…
Só eu não sei que o prazer consiste!
- No amor, nas glórias, na mundana lida,
Foram-se as flôres - a minh’alma é triste!

Minh'Alma é triste - Casimiro de Abreu


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Já não sei mais diferenciar
O que são roupas de trabalho,
Roupas de sair, ou roupas de casa.

Visto-me como quem se veste para nada.
Se vou pra rua, vou vestido de nada,
Se estou em casa mais ainda,
E se ao trabalho eu vou, o nada é mais formal.
Cansei-me de parecer, de tentar estar
De me inserir. Eles que se insiram !

Meu mundo sou eu, e os meus (poucos).
Meu time não entra mais em campo.
Minha música não corre atrás de audiência
Minha televisão sequer fica ligada.
Minha aparência agrada-me o espelho

Dias passam, horas, minutos, meses
Não me parecem tão longos, quiçá curtos.
Apenas são, e como são, vão.
Vejo noites claras, escuras, gélidas de morrer
Dias nublados (que acabam comigo), dias quentes

Não vejo sentido, ultimamente, em contar o tempo.
Ele nunca vai voltar. Lembro-me somente de fatos,
não sei o dia, a hora, sei-o simplesmente e isso basta.

Agora, mais tarde, irei me despir do nada
E deitarei em minha cama, no chão,
pois aboli a cama também,
Deito-me num colchão no chão,
como se eu fosse um visitante em uma casa simples
E lá me sentirei enfim, completo e simplesmente eu
Despido do nada, e coberto por tudo.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O encontro com um herói...

“Esperando, talvez por mim…
As flores que não plantei serão plantadas, ainda,
para que outros vejam flores nessa caminhada infinda”

Estanislau Fragoso Batista



Durante esse meu processo de conhecer um pouco mais do mundo e das coisas assim como elas são. Que começou na minha primeira faculdade, de hotelaria, nas aulas de filosofia. Passei, desde então, a procurar algum herói para que eu pudesse me aprofundar, e quem sabe me espelhar e me inpirar em sua vida, obra ou seja lá o que ele tivesse feito.

A partir daí, conheci muitos do que hoje são meus ídolos, como por exemplo: Henfil, Vinicius, Jobim, João Gilberto, Lamarca, Antônio Conselheiro, Zumbi dos Palmares, Lamarca e tantos outros, que foram importantes em sua obra, ou história de vida.

Mas ainda havia um vazio. Eram seres distantes, "certos alguéns", intangíveis... de um lugar remoto, de um tempo remoto.

Conheci um homem, hoje, que jamais havia visto outrora...
Um senhor, diga-se de passagem, de vida mansa...
Mas que ao contar sua história de vida,
Me tocou de tal forma, via em seus olhos, a vivacidade de um jovem de 20 e poucos anos...
Percebia em sua voz, uma imponência de tempos atrás, de onde saiam palavras, que de alguma forma, mudaram a história de uns do momentos mais tensos de nossa história.

Um nordestino, nascido em Teixeira na Paraíba, criado na roça do sertão. O pai, para tirar os sete filhos da fome, pôs cada um em em seminário, e o homem, cujo vos falo foi para o Salesiano de Jaboatão.


O homem que lhes falo, não seguiu a "carreira religiosa" e ingressou na Aeronáutica, quando formou-se em Direito (na Faculdade Federal de Direito do Recife), e foi telegrafista de vôo. Em 1964 foi expulso e preso, pelo regime militar que assolou o país naquela época, pela publicação de um livro chamado Entre a Noite e o Dia, que versa sobre a formação do militar naquela época.

E é daí, que pretendo postar, conforme me aprofundo em sua história, um pouco da vida e da luta de um retirante nordestino e de sua esposa que durante os anos de chumbo sofreram juntos, porém separados, e que ainda hoje, passado os 80 anos de idade, enchem os olhos de lágrimas e embargam a voz ao contar os fatos, que marcariam as suas vidas, e de seus familiares para sempre.

domingo, 29 de junho de 2008

Uma música inspirada em um poema meu.

Sem nome

Bem mais do que fui,
Bem mais além do sou.
O tempo, as cartas na mesa
Retratam um tempo de dor.
Nas madrugadas perdidas,
Trocava meu sono por teu amor.
Tendo a esperança, enfim, de tê-la.

De tê-la como meu amor,
Tratá-la como uma flor,
De tê-la como um bem maior que as estrelas.

Que foram como a nossa história,
Brillhantes que deram poema,
Na terra do Redentor... pequena.

Beijar-te foi tanger um sonho de amor,
Dos quais não se quer acordar ao menos uma vez.
Nas madrugadas perdidas, a tua presença eu quero sentir,
Sinto, mas, infelizmente não aqui.




Música e letra de Chico Florindo
Baseado em poema de minha autoria

para um poeta, amigo meu...

Nossos web papos, poemas são...
Nossos sentimentos transbordam o coração
De uma cerveja, um bilhar e um cigarro, não ouço não...
O que mais pode rimar contigo... a não ser: IRMÃO... !!!

Outro poeminha bobo...

(Carnaval)

Bocas lascivas se lançarão em busca de lábios aflitos,
Tornando profano o desejo casto.
Olhos famintos atirarão olhares como flechas,
Em busca de um novo grande amor,
A ser esquecido na quarta de cinzas.
Mãos percorrerão corpos, afagarão cabelos, segurarão copos,
E se perderam na volúpia de foliões qualquer, ilustres fantasias.

E na sede dessas noites, muitos morrerão,
E quem sabe muitos nascerão em novembro.
Mentes insanas, ébrias, guiando corpos promíscuos,
Lançando-se ensandecidos a procura de um simples momento,
Um simples gozo, uma simples aventura.

As cores hipnotizarão as pessoas, que trocarão o não, pelo sim
O som ensurdecerá os ouvidos, e não haverá mais diálogo
O idioma que reinará será o do corpo, no embalo do rítmo alucinante.
As fantasias confundirão os olhos, não haverá beleza, nem feiúra.
O calor engolirá a razão, e o corpo do outro será mais fresco que o ambiente.
E no corpo alheio, nos refrescaremos; nele, nos afogaremos; nele, nos
perderemos.

Ao raiar do dia, rostos exaustos ainda insistirão na busca por prazer
E a mistura do cansaço, do sono e da embriaguez
Tornará os últimos foliões prezas fáceis para os insatisfeitos.
E por fim, aos primeiros sinais de lucidez da quarta-feira
A sede cessará, junto com a aflição, e a busca tornar-se-á em vão
A insanidade, e a promiscuidade, irão virar histórias a serem contadas,
No dia-a-dia de nossas vidas pacatas, e voltaremos a esperar esses quatro
dias
Onde todos são de todos, e ninguém é de ninguém.

sábado, 28 de junho de 2008

Bobinha

Do amor que sentir a calma,
Das belas aves a voar no céu,
Sentir a chama que ‘calenta a’lma,
Sorver da boca o profano mel.

Quero sentir-te tão somente e pura.
Teu seio rijo encostado ao meu,
E me perder em to’a sua ternura,
E te guiar quando estiver no breu.

Quero amar amor mais profundo,
E me apaixonar a qualquer instante.
Admirar-te com’adimiro o mundo,
E te amar com’um eterno amante.

Vou desvendar todos teus mistérios,
E me enternecer a cada descoberta.
Podes entrar, a minha casa aberta,
Não lhe conheço, só sei que lhe quero.