quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Depois do seu não

Pelos passos que ando nesse mundo
E pelas horas que rumo sem destino,
Nada mais intenso, e nem mais profundo
Que o doce sopro do ar feminino.

E como as canções que deixei de cantar
E meus poemas que nunca serão,
Na vida, a esmo, sigo a vagar
Pedindo crime, cometendo perdão

E as vagas vozes ainda me falam
Dos segredos que um dia calei,
Das dores que sempre resvalam,
E o sonho que um dia eu sonhei.

É doce o sonho, cheio de luz
São dores parcas, sentidas em vão.
E o doce sonho, que pra ti conduz,
Sempre me dói depois do seu não.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por dentro

A guerra que travo dentro de mim
Não pode ter campeão,
Pois se eu vencer, eu perco
E se eu perder, eu venço

Sou eu contra mim mesmo,
Meu pensamento contra minha atitude,
Minha calma contra minha revolta,
Meu desespero contra a paciência.

Meu otimismo é fraco,
Meu pessimismo nem se esforça.
Tenho medo de meus pensamentos,
E meus pensamentos têm medo de mim.

Sorrio a ponto de explodir por dentro
Como uma bolha de insegurança e insatisfação.
Me enfureço por não saber pra onde vou,
E nem entender o que estou fazendo.

Corro em busca de algo que nunca vi,
Me escondo do risco da derrota,
E me perco na ânsia de ter o que sentir.
Sou um desperdício de ilusões e vontades.

Satisfação eu não conheço, e quiçá não terei ciência
Me exacerbo rapidamente de mim e de minhas convicções
No efêmero do meu ser, vou seguindo com leniência
No instinto de sobreviver, rastejo por todas direções.
Haja demência...