domingo, 31 de agosto de 2008

Conselho ao tempo

Santo tempo,
Sempre lento,
Como passam as tuas horas?
Por onde andam teus segundos?

Tempo lento,
Sempre Santo,
Por entre teus dias vou traçando,
As linhas tortas de minha vida.

Tempo, sempre
Lento e Santo
Na quimera de tuas horas
Minha história se deita.

Tempo, tempo
Sempre, sempre
Canto entre teus tics
E me calo durante os teus tacs

Lento, lento
Santo, Santo
Passa sobre mim as folhas de teu calendário
Me trás o dia que espero. A data, que eu quero.

Oh! Sempre Santo, Lento Tempo
Deixe-me trançar as linhas do teus segundos
Deixe-me descompassar o compasso do teu relógio
Deixe-me confundir as horas,
Me esconder dos teus meses,
Apagar-te os anos,
Refazer-me os planos,
Desfazer-lhe o sentido.

Corra sem destino,
Mova teus moinhos,
Bagunce meu mundinho,
Se perca do caminho.

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