segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Para um novo amor


"Would a trip to a remoted island ease your mind?
Oh you look like a solitare every sunshine
I like her 'cause she's fun
And she's fearless
She's a friend of mine"

I Want You - Cee Lo Green


O que fazer quando não pode
Um amor que tanto se quer?
Quando o amor em si sacode,
E quer amar como puder?

E se amor for proibido,
E não se vê resolução?
Tanto tempo em mim contido,
Quer gritar meu coração.

O puro amor que eu já tivera,
E que pensei não mais rever.
Agora vive na quimera,
De achar um jeito de te ter.

E se esse amor é muito novo,
E se a mulher é só paixão.
Qualquer barreira eu resolvo.
Em busca do sim, sem ver o não.

E quando beijos e carinhos
Eu tiver de quem eu amo,
Os corações enfim juntinhos
Irão amar durante anos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um quadro

Eu sinto vontade de poetizá-la
Pintar sua foto em versos
Tão lindos quanto a beleza pode ser
Tão sensíveis em suas formas,
Tão únicos como você é em sim mesma.


Sinto vontade de poetizá-la
E te eternizar como sendo minha
Como sendo só minha, a mais perfeita obra
Da qual nenhuma superaria.


Sinto vondata e poetizá-la
Em rimas perfeitas, poucos versos
Três ou quatro, quem sabe?
Mas que nestes versos houvesse todo o sentimento
Que eu sinto de ti, e que jamais serão meus.
Assim como este poema, que jamais pintarei.


Você é assim, não se pode resumir em palavras
Não pode se cantar em rimas
Não se comporta em versos
Não transcorre pelas minhas mãos.
Você não é. Você, só eu sinto
Forte, direto em mim, mas nunca minha.

Mais de mim

Se você visse o mundo com meus olhos,
Visse toda a verdade daqueles que mentem,
Sentisse toda a mentira daqueles que falam a verdade,
Se você visse a tristeza nos olhos de quem se diz feliz
E se percebesse toda leveza daqueles que se sentem tristes.

Se ouvisse o mundo com meus ouvidos
Ouvindo as canções dos que calam,
Percebendo o vazio dos palavras dos que dizem,
Se sentisse o ecoar do silêncio do medo
E o vazio que soa das multidões.

Se sentisse com a minha pele,
O toque dos que estão longe,
O frio daqueles que te abraçam,
O abraço amargo da derrota
E a alegria efêmera da vitória.

Se você me sentisse, como eu me sinto,
Se chorasse pelo que eu choro,
Ou, se pelo menos, escrevesse com minhas palavras,
Dissesse com meus pensamentos e falasse com meus gestos,
Saberia o porquê de mim, o senão se eu
E o que eu digo estas palavras que só eu sei o quê falam.

sábado, 18 de setembro de 2010

Minha

O que me pergunto hoje em dia é o quanto de mim sou eu?
O quanto de mim é meu, e o quanto de mim pode ser alguém?

Nesses meses de frio, estive tão só comigo mesmo que não sei mais.
Não sei mais se quero, se devo, se posso ou se consigo me deixar.

Construí muros, portas com cadeados e grades
Para que ninguém entrasse e fizesse de novo o que já me fizeram
Hoje é tão difícil sair daqui de dentro de mim mesmo.

Me envolvi com minhas músicas, com meus medos,
Com minhas ânsias, com meus pensamentos,
Minha (pouca) poesia. Me envolvi comigo mesmo,
E já não sei se consigo me deixar envolver.

Não sei se por medo, ou por costumo
Se por moda, ou por feição.
Hoje sou de mim mesmo.
Amanhã? Não sei não!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Limite

Vivo no limite de minha sanidade,
No limite, entre o sim e o não.
Entre a noite e o dia,
Entre o cansaço e a disposição.

Vivo no limite de minha lucidez.
No limite do aceitável,
Do inegável, do improvável,
No limite da minha solidão.

Vivo no limite da noite,
Entre o choro e o riso,
Entre silêncio e o grito,
Entre o afago e o açoite.

Vivo no limite de todos os meus limites.
Na linha tênue das minhas opniões,
Bradando o não, pensando no sim,
Querendo o sim, contando com o não.

No limite das horas,
Entrando mais tarde,
Saindo mais cedo,
Fazendo alarde,
Chorando de medo,
Dando meus foras.

Reclamo do que tenho,
Desejo o que não tive,
Murmuro meus lamentos,
Nos lugares n'onde estive.

E caminho feito louco,
à procura da morte,
à procura d'um norte,
à procura da paz.

E vou morrendo aos poucos,
Sentindo minhas dores:
O meu cigarro, a saudade
e meus amores.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Confuso

Como se fosse mágica a transição das cores
Como se fosse música o farfalhar das flores
Como se fosse lógica a agonia ardente
Como se fosse tácito tanto penar da gente
Como se fosse rígido a armação da tenda
Como se fosse ínfimo o profundar da fenda
Como se fosse trágico o avançar da hora
Como se fosse único o lumiar lá fora
Como se fosse tímido o abanar das asas
Como se fosse místico o limiar das casas
Como se fosse péssimo o penar que sinto
Como se fosse bálsamo esse tom que pinto

Nada me conforma
No vazio de sua forma

Tudo me confunde
O pensar que em ti se funde.

terça-feira, 13 de abril de 2010

De minha loucura

E se disser que talvez seja
Algo assim, que se deseja.
Ou, quem sabe, nunca esteja.
Apenas sinta, ouça e veja.


Outros tantos sairão.
Uns a tôa, uns em vão.
E quem sabe arguirão
Em busca do sim,
Ao encontro do não.


Poucas bocas loucas
Num sonar sombrio
Acendem acessa e a chama queima
Apagam a marca à tapa, a chama acaba
Tristes trastes contrastantes travos


Largue a vida, viva e morra
Antes ame alguém que clame
A carne, a chaga, a centelha,
Uma cela com'ma telha.


Não hesites do que sintas,
Não temeis a falha incerta.
Certamente entreaberta
A verdeda esteja pra que mintas.


Se partires não treslouque,
Siga em frente a sua ida,
Não retornes caso alguma
Falta haja na guarida.


Louco teimo, eu insano
A versar-te estes versos
Sou tampouco muito humano
Sofro quieto meus excessos.


Saca a folha desse livro
Rasga e vira a sua página

lento,
lerdo,
lenço,
livre,
louvo,
lavo,
lindo,
choro.


E tenho o dito!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Temo chegar a concluir, um dia,
que essa vida que eu levo,
não era bem o que eu queria.

e perguntar-me-ia
já ciente da resposta:
"O que me restará,
além da boemia?"

Aí, então, farei comício
Pra convencer a grande massa
Sustentar meu pobre vício.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

3 em 4

A calma que em mim habita
Se debate querendo gritar
E a tristeza nem sequer evita
De sorrir ao me ver chorar

A paz que tanto procuro
Parece que foge querendo brincar
E como cego perdido no escuro
Me esbarro na vida tentando te achar

Na noite, quanto mais tardia
Me bate a saudade de tempos atrás
Na minha cama tão vazia
Você ao meu lado, não está mais

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aviso ao tempo

Nunca concordei com o tempo que o tempo leva pra passar.
Sempre estamos em desacordo.

Quando quero que ele passe rápido e que o que estiver pela frente venho logo,
ele rasteja.

Quando quero que ele rasteje, passe bem devagarinho, se possível pare,
ele voa.

É uma proporção injusta
Quanto melhor, mais rápido
Quanto pior, mais lento

Quero que ele siga o meu compasso
O meu tempo,
O meu relógio,
A minha cronologia.

Quer outro exemplo?

Quando quero ficar acordado, é hora de dormir.
Quando quero ficar dormindo, é hora de acordar.

Um dia, senhor tempo, eu paro de te seguir
E aí quem vai ter que vir atrás de mim o senhor.

E eu não vou querer nem saber,
Se quiser vai ser do meu rítmo,
Caso contrário, deita e dorme,
E peça que o MEU tempo, passe mais rápido.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Só rima

Minha rima é porca
Assim como meu desejo imundo

E a tristeza sufoca
Assim como de fome o mundo

Minha roupa é torta
Assim como o curso do rio

E por de trás da porta
Não há mais nada além de estio.

O silêncio das coisas

As coisas do silêncio
Que nascem e que morrem
QUe viram e que crescem
Desfazem-se em sonhos,
e em dias padecem.

O silêncio da morte
Que nasce do medo
O silêncio da sorte
Que começa no beijo

O silêncio do choro,
Que escorre na lágrima
O silêncio da música
Que vira uma página.

A luz da aurora
Que nasce da noite,
E o quente do sol
Que morre na tarde

No silêncio da alma
No nó em meu peito
Minha vida declara
Em silêncio o seu jeito

domingo, 17 de janeiro de 2010

A mente cheia de versos
E a noite cheia da lua.
Em pensamentos tão dispersos
Me vem a sua imagem nua.

Num corpo tão perfeito,
Numa noite tão escura,
Minha mão em teu peito,
E meu ouvido tu sussurras.

As horas vão passando
E a noite vira dia.
Te sinto me abraçando,
E eu te beijo a boca fria.

Outro dia recomeça.
Novamente vou embora.
Te espero que me peça.
Se me chamas, vou agora.