sábado, 27 de dezembro de 2008

E só

ando apaixonado por tantas
ando apaixonado por todas
ando apaixonado por qualquer uma
ando apaixonado por tão pouco
ando apaixonado por nada
ando apaixonado por ela
ando apaixonado por elas
ando apaixonado e só

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Apenas uma noite

Promíscua noite de desejos.
Insano momento de um mero afã
E os desejos se tangem em carne,
Sons, e gemidos dispersos no instante.

No ardor do prazer profano,
A lasciva rosa desabrocha,
Em doces pétalas rubras a cair,
A espalhar-se sobre meu corpo.

No curto instante de um gemido,
No longo momento de um silêncio,
Nossos olhos se cruzam,
O arfar cessa,
E desfalece o desejo motriz.
A mover nossos corpos nús,
Juntos,
E violados.

O efêmero prazer d'uma data a ser apagada.
Mas não por ela, que a rosa mantinha imaculada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Você Abusou

"Que me perdoe, se eu insisto neste tema.
Mas não sei fazer poema, ou canção,
Que fale de outra coisa que não seja amor.

Se o quadradismo dos meus versos, 
Vai de contra os intelectos,
Que não usam o coração como expressão 

(...)

Mas não faz mal.
É tão normal ter desamor.
É tão cafona, sofredor.
Que eu já não sei se é meninice,
Ou cafonisse o meu amor."



José Carlos Figueiredo, 
António Carlos Marques Pinto
José Ubaldo Avila Brito

Perambule

Siga andando até o Japão,
Vire a esquina, a contra-mão.
Navegue milhas sobre o mar.
Siga as ondas e o luar.

Vá andando bem sem rumo,
Caminhando sem destino.
Não se guie pelo prumo.
Vá se indo qual menino.

Não se importe onde chegar
Até se perca no caminho
Pois, pior que não achar
É ver o mundo, e ser sozinho.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Coração

Coração não tem cerébro.
E se tivesse não seria coração.
Pois do amor não se pensa,
Não há cuidado, nem razão.

Coração é desvairado.
Não se prende a conselhos.
Não conhece o que é cuidado.
Nem se olha no espelho.

Coração é teimoso.
Sempre faz o que quer.
Esse pequeno ser tinhoso.
Se dá  pr'algum qualquer.

Coração de aventura,
Se cuida um pouquinho.
Mais uma desventura,
Vai-se acabar em caquinho.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Trecho

Ela é isso,
E quase nada

Ela é tudo,
E nada disso

Uma ninfa
Uma fada

Ela é um anjo,
Ela é um bicho

E como diria Paulinho da Viola

Meu Mundo é Hoje

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim.
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.

Tenho pena daqueles que se abaixam até o chão,
Enganado a si mesmo por dinheiro ou posição.

Nunca tomei parte deste enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.

"E vê quantas coisas eles dizem, que eu não digo"

Quantos pensamentos desejosos !
Quantos atos evitados !
Quantos sentimentos ao mesmo tempo !
Quantas palavras caladas !

Mas elas não dilatam...

Se conseguisse ler meus pensamentos,
Se conseguisse entender essa cabeça,
Se conseguisse decifrar os meus enigmas,
Se conseguisse desatar esses nós,
Se conseguisse enxergar minhas estradas.

Mas elas não dilatam...

Esses olhos que te acompanham,
Esses olhos que te admiram,
Esses olhos que tanto sentem,
Esses olhos que pouco demonstram,
Esses olhos e suas pupilas.

Mas elas não dilatam...