quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Te ofereço

Eu só posso te oferecer a dor de não estar ao seu lado
A companhia da minha ausência sempre presente
Um não abraço, um não carinho, um não beijo, um não eu
Te ofereço a saudade bruta, com poucas esperanças.


Posso te mostrar a solidão de estar comigo
Te mostrar como são tristes as noites
Como os dias são vazios, parcos, em vão
E como as coisas perdem a graça.


Te farei experimentar o gosto das lágrimas 
Que correm pelo rosto, sem esforço, só com o pensar.
O incessante exercício da paciência
E o leniente, em que os planos se transformam.


Não tem lógica insistir em mim,
Por que de mim só há a dor de não estar.
Não tem lógica insistir em mim
Pois daqui não me resta muito, a não ser te amar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bem vindo ao meu mundo

Quando se sentir cansado
De só querer amar
E o amor ao seu lado
Não querer ficar


E quando estiver gritando
Em busca de algo sem saber
E como estivesse sonhando
Saber o incrível gosto de ter


E quando parecer que só a tristeza lhe acompanha
E que tudo não se passa de ilusão
Que a vida é uma campanha
Sem rumo e sem direção


E quando de vazio encher o seu coração
E dentro dele só houver desilusão
Ou quando a noite se deitar
Sem saber porque, ou por quem, acordar


Quando só, você não basta
Só, você não serve
Só, você que quer
Só você, não dá


Saberá um pouco como eu vivo
Como eu passo dias, noites
Saberá o que eu quero
E por que me entrego a sina

Em vão viver

Eu vejo pessoas ao meu redor
Com a expressão do desespero
Maldizendo os agouros
Reclamando destemperos


As pessoas estão geladas
Não cabendo em sim mesmos
São pessoas magoadas
São apenas vão mancebos


Eu me sinto tão perdido
Navegando os meus caminhos
Entre sonhos e venturas
mal logrando os descaminhos


É a vida que se segue
E é assim que há de ser
A tristeza me persegue
E eu tentando, em vão, viver

Minha poesia

O ritmo da minha poesia
Se embala no dançar da minha vida


As vezes lenta, num cismar vagaroso
Minha poesia se lança nesse mar jocoso


Outras vezes
Rápida
Matreira
Metida


Ela se joga
Se torna sentida


As vezes alegre, ela canta alegrias
As vezes triste, a chorar as feridas
Ela trilha seu passo, sem caminho
Sem saber como termina
Sem prever o seu destino


Uma a uma as palavras vão saindo
Verso por verso sua forma vem surgindo
E devagar vai se esvaindo
E ela chora, ao me ver sorrindo

De aniversário

Que a beleza sua,
Linda, rara e crua
Acompanhe a sua lida
Enquanto a carne se extenua


Que o lindo brilho desse olhar tão tenro
Não esmaeça, continue, seja eterno
Que o vislumbre do sorriso lindo
Não se perca com o seguir dos anos indo


E a leveza de tão doce simpatia
Lhe acompanhe a cada primavera
E que não haja nenhum dia
A triste dor e nem a eterna espera


Que os anos sejam pra você
Como um retoque numa bela pintura
E que o sinônimo de envelhecer
Seja pra ti, cada vez mais ternura.

A Musa

A musa minha é aquela que se faz ausente
É aquela que eu nunca sinto, porque nunca está
É aquela na qual desespero por tentar buscar
E que não me deseja, pois nem sequer me sente


Ela está distante em tantas canções
E me está perto nos rostos que vejo
Está sorvendo de outros, paixões
E está me enchendo a mente, o desejo


A musa que quero insiste esconder
E por mais que a busque, não vejo, não sei
Já senti tantas vezes o afã de morrer
Já não sei nem pra quantas, amores eu dei


A musa que é minha, ainda não há
E vou procurando em musas em vão
Se a musa existe? Eu creio que não
Vai ver minha musa é sempre buscar

Pequena

Eu sou um ébrio perdido no mundo
Andando sem rumo, sem laço, sem prumo
Inda pr'um lado, voltando de frente
Conhecendo canções, cantando gente


Ando sozinho e vivo a vagar
Dou risadas e vivo a chorar
Marcando pessoas e sendo marcado
E só as lembranças andam ao meu lado

Mais do que sou

O mundo é muito grande, pra esse coração de poeta
E em cada canto que desconheço, há um pedaço de mim
Um pedaço ainda não revelado, um pedaço que sei que há
E esse coração pequeno, não entende que tem que ser assim

Há muita cor no mundo, pra esses olhos de criança
E em cada tom que se descortina nessa visão turva
Mais criança me sinto, por ter visto tão pouco nessa ida
E sinto que há tão mais cores, quanto na vida há esperança

E os sons que ecoam entre tantas vozes e tantas cordas
Isso sem contas nas pelas de tambores, nas curvas de metais
E disso tudo que sei tão pouco, há tanto a se ouvir
Tantas rimas, tantos grupos, tantos acordes em tantas rodas

Há tanta vida nesse mundo, que as vezes me sinto morto
Envolto em sussurros, murmúrios e suspiros de mundo melhor
E ao saber que sou assim, quase morto, moribundo
Mais me lanço, mais me encanto, meu eu vivo nesse mundo.