terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um abraço...

E as horas sozinho a contemplar a lua?
O abraço quente, carinhos do filho que ele iria ter?
As noites de amor, dos dias de cansaço?
As risadas de alegria com os amigos?
As voltas para casa, caminhando ébrio pela rua,
A cantar para a noite, acordando a vizinhança?

E os tantos pores-do-sol que ele não vai mais assistir?
Os momentos a sós consigo mesmo, no escuro do seu quarto,
Na sala vazia, ao som de suas músicas?

E as piadas sem graça, as risadas forçadas?
Os acordes não tocados, os sons não ouvidos?
As mulheres não beijadas, os amigos não feitos?
As palavras não ditas, os gritos não dados?

E os lugares não visitados, os segredos calados?
As lágrimas silenciosas, que de seus olhos não escorreram,
E que por isso ninguém pode lhe ajudar?

E a hesitação de seus atos, as palavras não ditas?
Os momentos que não foram, e que jamais virão?

Porquê hoje ele só quer uma coisa:

Que a morte lhe abrace, calma, silenciosa e de repente.
(como o abraço que ele tanto esperou de alguém em vida)