sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nada Mais

Versos calham,
Vão e voltam,
Entram e saem.

Minha vida?
Avacalha.
Se esvai.

Meu relógio?
Nunca falha.
Sempre atrás.

Meu refúgio?
Num barraco,
Se desfaz.

A alegria?
Tão vadia.
Só me trai.

A tristeza?
Mais que eu tente,
Não se vai.

Vira o dia,
Muda o ano,
Nada mais.

Poema triste

Retorno à poesia como quem retorna a um túmulo,
D'alguém querido, um ente outrora próximo.

Retorno à poesia com muito esforço,
Com um relutar latente, me achando louco.

Retorno à poesia como um cão teimoso,
Com latir vazio, ao rosnar no estio

Retorno à poesia por caminhos negros,
Por viélas esmas, por um labirinto.

Retorno pois dela me sinto,
E ela está em mim,
Quando rio,
Quando choro,
Quando minto.

Ela está no meus olhos, que enxergam o mundo,
Está nos ouvidos que ouvem o passar dos segundos,
Está na minha pele, em corpo moribundo.

Ela não retorna, por que é.
Está, e não vai,
Nem se quiser.

E eu retorno
Aos poucos,
Por pouco,
Por poucos,
Por outros,
Por mim.

Domingo

A calma felicidade num domingo à toa
O canto dos passáros ao sol radiante
A beleza que brilha do casal passante
Uma bela canção no fundo ecoa

Na simples casa de família unida
No cochilar tranquilo da avó querida
Ou quem sabe o riso no rosto da infante
Ou talvez a força do amor incessante

Me sinto em paz em estar junto
Me recarrego, rio, me refaço e canto
E a esmo comigo, as vezes pergunto
Se felicidade eu vou ter nesse tanto

A família é bela,
Brinca,
Sofre,
Rí,
E chora.

A tarde é curta,
O domingo vai embora.

Acabou.