segunda-feira, 28 de junho de 2010

Limite

Vivo no limite de minha sanidade,
No limite, entre o sim e o não.
Entre a noite e o dia,
Entre o cansaço e a disposição.

Vivo no limite de minha lucidez.
No limite do aceitável,
Do inegável, do improvável,
No limite da minha solidão.

Vivo no limite da noite,
Entre o choro e o riso,
Entre silêncio e o grito,
Entre o afago e o açoite.

Vivo no limite de todos os meus limites.
Na linha tênue das minhas opniões,
Bradando o não, pensando no sim,
Querendo o sim, contando com o não.

No limite das horas,
Entrando mais tarde,
Saindo mais cedo,
Fazendo alarde,
Chorando de medo,
Dando meus foras.

Reclamo do que tenho,
Desejo o que não tive,
Murmuro meus lamentos,
Nos lugares n'onde estive.

E caminho feito louco,
à procura da morte,
à procura d'um norte,
à procura da paz.

E vou morrendo aos poucos,
Sentindo minhas dores:
O meu cigarro, a saudade
e meus amores.