domingo, 29 de março de 2009

Elegia dos Poucos Anos da Mulher Amada

E sorvo, desses lábios, a juventude perdida nos idos tempos,
Os contornos das curvas,
Mais os detalhes do corpo
Me levam por caminhos de sonhos antigos,
Desejos meninos, amores em vão.

Ah! Quanto desejo se encerra nesse corpo tão pequeno!

Pesado fardo da mulher querida,
Que carrega, em teu âmago, o desejo e a volúpia
De tantos eus, de tantos vocês.

Oh! Se ela soubesse que não é de atos que meu prazer se nutre,
E, sim, da beleza simples dos movimentos simples.
Palidez virgem de teus inexplorados caminhos...
Anseios, ânsias e aspirações de menina nova!


Não quero sugar de ti esse frescor dos poucos anos de vida.
Não quero envolver-te nos malditos afãs dos homens de carne.

És bela e pura,
E, por somente isso, desperta-me tanto desejo!
E, por somente isso, desperta-me tanto medo!
E, por isso, tão somente, é que te envolvo
Nas tramas de meu engano ledo!

domingo, 22 de março de 2009

O Homem Quando Dorme

O sono profundo
o desliga do mundo
o corpo valente
se faz moribundo

A musa distante
de olhar penetrante
adentra sua mente
é sua no'instante

patrão que gritava
"J'ão pegue a enchada"
perdeu sua patente
que foi rebaixada.

O arroz com feijão
Com o prato na mão
Ficou diferente
Não senta no chão

O homem no sono
É o rei do seu mundo
Sem chefe, ou gerente
Em seu sono profundo

quarta-feira, 18 de março de 2009

E ela passou

Vê como anda esse desdém
Vê como passa esse meu bem
Que vai, e joga seu vintém
Se dá a todos, e ninguém

Ah! Como ri os lábios belos!
E cintilam olhos gris!
E num toque, o meu flagelo!
Dei-lhe tudo, mas não quis!

Se as curvas belas, entornadas
Sentisse o'ardor de minha tez
Quem sabe como namorada,
Eu a tivesse outra vez