sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A/C Rep51

A vida era aquela
Singela, bela, querela.

Na sala, das festas
O som, a bagunça,
Amigos ao risos,
Sozinhos, em nós.
Amigos, amigos.

No quarto, o silêncio,
Ou o som de conversas.
No quarto, a cama,
Ou a falta dela.
No quarto o coito,
Ou a falta dele.

Na cozinha a comida,
A cerveja, o drink,
A panela, que não tinha,
O prato, que não tinha.
O quase nada que tinha
Era o que precisávamos.

Na área de trás
O lixo, os cascos,
Os ratos, a máquina,
de roupa, de louça,
A porta arrombada,
Fechada, aberta.

A música é alta,
O sonhos também.
O planos eram muitos.
Não somos ninguém.

Acorda e trabalha,
De noite feliz.

Ali crescemos, ali vivemos.
Risos, choros, brigas, amores
Sujeira, limpeza, sóbrios,
Ébrios, deitados, de pé,
Saindo, chegando, ficando,
Noites que amanheciam.
Manhãs que anoiteciam.
Tardes eternas, piscina, filme,
Línguas, bandeiras, solidão,
Medo, e a faculdade acabou que não foi.

A falta que hoje sinto
Dos amigos que deixei
Me faz escrever essas poucas,
Porém, singelas linhas
De lembranças, turvas.
Como eram nossas mentes
No fim das infinitas e curtas
Tantas horas em vão

Saudades!

Que fase!

Poeta que sou, que fase!
Justificando meus erros em rimas,
Romantizado o profano em versos,
Fugindo da vida em prosa.

Poeta que sou, que fase!
Preso em mim mesmo, que sou muito.
Pouco em mim mesmo, quero lá fora.
Fora do quê? Já nem sei mais o que quero.
Sou fora de eixo, fora de moda, fora de mim.

Poeta que sou, que fase!
Sou tudo de bem, está tudo legal,
Não tenho além, me sinto normal.

É pouco, muito pouco o que eu posso
Porém, não há poder que eu consiga ter,
Não há poder que eu possa ter,
Não há posse, não há passe, impasse.

Não há nada,
Não é nada,
Tô bem!

Só eu,
Poeta,
Que fase!

Crise

Estamos em crise
Somos a crise
Tenho uma crise
de riso
de choro
de ódio
de nada

Vivendo em crise
Não sabe se sim
Não sabe se não
Que crise?
Crise, sem crise!

Crise que fico
Em crise que sou
Sou crise das crises
A crise em mim
Há crise em mim

Encrease demais
Decrease de menos
É crise de língua
É crise de gênero
É crise quem
E crise quem quero
É crise onde estamos
É crise que espero.

Crítico, critico a crise
Que cria a cria de crise em mim.

A dança

Ela dança e se contorce
Em mim, por mim e comigo
E eu a deixo, a sinto e assisto
E assim ficamos horas e horas
A nos embalar ao nosso prazer

Eu tento agarrá-la, ela se nega
Eu tento pegá-la, ela escapa
Eu tento prende-lá, ela se solta
Eu tento deixá-la, ela se fica
Eu tento nada, ela me tenta

O ritmo aumenta e a gente se embala
A respiração pesada, os corpos suados
O sangue já quente, só a gente sente
O ritmo muda, nossa boca muda
Você abusada, eu me deixando
Eu abusado, você me deixando

E por fim, quando eu me vejo
Acabou nós, não houve nós
Foi só um momento, foi só algo
Foi algo sozinho, foi e não é mais
Maldita inspiração que me provoca e não fica
Quem sabe um dia, quem sabe um dia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Muda história

Escrevo pra audiência pouca
Meu berros de desespero
Por vezes a minha voz rouca
Em versos se faz aguaceiro

Mas a chuva que outrora forte
Agora se faz amena
As dores de quase morte
Agora me são pequenas

Sinto a vida em mim sorrindo
De um jeto que nunca vi
Me sinto como bem vindo
Por caminhos d'onde fuji

Sorvo a paz que vem lentamente
Pra que sempre ela me aqueça
Da flor da alegria a semente
Cultivo, pra que ela floresça.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Te ofereço

Eu só posso te oferecer a dor de não estar ao seu lado
A companhia da minha ausência sempre presente
Um não abraço, um não carinho, um não beijo, um não eu
Te ofereço a saudade bruta, com poucas esperanças.


Posso te mostrar a solidão de estar comigo
Te mostrar como são tristes as noites
Como os dias são vazios, parcos, em vão
E como as coisas perdem a graça.


Te farei experimentar o gosto das lágrimas 
Que correm pelo rosto, sem esforço, só com o pensar.
O incessante exercício da paciência
E o leniente, em que os planos se transformam.


Não tem lógica insistir em mim,
Por que de mim só há a dor de não estar.
Não tem lógica insistir em mim
Pois daqui não me resta muito, a não ser te amar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bem vindo ao meu mundo

Quando se sentir cansado
De só querer amar
E o amor ao seu lado
Não querer ficar


E quando estiver gritando
Em busca de algo sem saber
E como estivesse sonhando
Saber o incrível gosto de ter


E quando parecer que só a tristeza lhe acompanha
E que tudo não se passa de ilusão
Que a vida é uma campanha
Sem rumo e sem direção


E quando de vazio encher o seu coração
E dentro dele só houver desilusão
Ou quando a noite se deitar
Sem saber porque, ou por quem, acordar


Quando só, você não basta
Só, você não serve
Só, você que quer
Só você, não dá


Saberá um pouco como eu vivo
Como eu passo dias, noites
Saberá o que eu quero
E por que me entrego a sina

Em vão viver

Eu vejo pessoas ao meu redor
Com a expressão do desespero
Maldizendo os agouros
Reclamando destemperos


As pessoas estão geladas
Não cabendo em sim mesmos
São pessoas magoadas
São apenas vão mancebos


Eu me sinto tão perdido
Navegando os meus caminhos
Entre sonhos e venturas
mal logrando os descaminhos


É a vida que se segue
E é assim que há de ser
A tristeza me persegue
E eu tentando, em vão, viver

Minha poesia

O ritmo da minha poesia
Se embala no dançar da minha vida


As vezes lenta, num cismar vagaroso
Minha poesia se lança nesse mar jocoso


Outras vezes
Rápida
Matreira
Metida


Ela se joga
Se torna sentida


As vezes alegre, ela canta alegrias
As vezes triste, a chorar as feridas
Ela trilha seu passo, sem caminho
Sem saber como termina
Sem prever o seu destino


Uma a uma as palavras vão saindo
Verso por verso sua forma vem surgindo
E devagar vai se esvaindo
E ela chora, ao me ver sorrindo

De aniversário

Que a beleza sua,
Linda, rara e crua
Acompanhe a sua lida
Enquanto a carne se extenua


Que o lindo brilho desse olhar tão tenro
Não esmaeça, continue, seja eterno
Que o vislumbre do sorriso lindo
Não se perca com o seguir dos anos indo


E a leveza de tão doce simpatia
Lhe acompanhe a cada primavera
E que não haja nenhum dia
A triste dor e nem a eterna espera


Que os anos sejam pra você
Como um retoque numa bela pintura
E que o sinônimo de envelhecer
Seja pra ti, cada vez mais ternura.