quinta-feira, 14 de junho de 2018

Té errado!

Eu errei!
Errei tanto, errei com tanta força
errei com coragem, com ânsia de errar
errei errado mesmo, errei de acabar.

Errei como de costume,
Errei como com razão,
Errei feio por ciúme,
Errei doido de paixão.

Errei por que gosto,
E gosto quando erro,
Errei sem remorso
Errei por que quero.

Erro em saber que errando,
Eu erro e gosto de ser.
Eu erro, mesmo acertando.
Foi erro, te escolher não ter.

Eu erro o erro de errar
E choro quando vem me falar
Que o erro, que insisto em errar
Não junta, só faz afastar.

sábado, 7 de outubro de 2017

Eu vou ter que aprender a viver.

Eu vou ter que aprender a viver
Sem ouvir a sua voz rouca de manhã
Sem sua risada gostosa das minhas piadas

Eu vou ter que aprender a viver
Sem o seu carinho, sem o seu cuidado,
Sem o seu abraço, sem o seu cheiro,

Eu vou ter que aprender a viver
Sozinho nas ruas, nos bares, em casa
Nos planos, nos sonhos, em nós.

Eu vou ter que aprender a viver
Sabendo, que um dia, de outro, serás.
Sabendo, no fundo, de tudo, a culpa sou eu

Eu vou ter que aprender a viver
vazio, menor, perdido, chorando
pensando, sentindo, morrendo, com dor

Eu vou ter que aprender a viver
de novo, de dia, de fora, pra dentro,
sedento, sem muito, bem pouco, amor!


Rio de Janeiro, 07/10/2017.
ps.: It's hurting

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Hoje eu tentei chorar.

Hoje eu tentei chorar
Mas não consegui

Tentei chorar lembrando dos momentos de pai
Dos momentos de voz grossa, de olhar pesado

Tentei chorar lembrando das conversas
das tardes de domingo ouvindo música

Tentei chorar ao lembrar das caminhadas
da gente consertando o carro

Tentei chorar ao lembrar da gente saindo
da gente na sala, no final da noite

Tentei chorar lembrando de você chegando
de você cansado, de você dormindo

Hoje eu tentei chorar
Mas não consegui

Não consegui pois sou igual a você
Sou feito da tua matéria

Sou feito de sua dureza, de sua rigidez
Sou feito de seu rancor, sua cabeça dura

Não consegui, pois carrego você dentro de mim
e por mais que eu tente, você não chora

E até agora que me lembro de você,
esse pai foi bom, mas foi embora.

A/C Rep51

A vida era aquela
Singela, bela, querela.

Na sala, das festas
O som, a bagunça,
Amigos ao risos,
Sozinhos, em nós.
Amigos, amigos.

No quarto, o silêncio,
Ou o som de conversas.
No quarto, a cama,
Ou a falta dela.
No quarto o coito,
Ou a falta dele.

Na cozinha a comida,
A cerveja, o drink,
A panela, que não tinha,
O prato, que não tinha.
O quase nada que tinha
Era o que precisávamos.

Na área de trás
O lixo, os cascos,
Os ratos, a máquina,
de roupa, de louça,
A porta arrombada,
Fechada, aberta.

A música é alta,
O sonhos também.
O planos eram muitos.
Não somos ninguém.

Acorda e trabalha,
De noite feliz.

Ali crescemos, ali vivemos.
Risos, choros, brigas, amores
Sujeira, limpeza, sóbrios,
Ébrios, deitados, de pé,
Saindo, chegando, ficando,
Noites que amanheciam.
Manhãs que anoiteciam.
Tardes eternas, piscina, filme,
Línguas, bandeiras, solidão,
Medo, e a faculdade acabou que não foi.

A falta que hoje sinto
Dos amigos que deixei
Me faz escrever essas poucas,
Porém, singelas linhas
De lembranças, turvas.
Como eram nossas mentes
No fim das infinitas e curtas
Tantas horas em vão

Saudades!

Que fase!

Poeta que sou, que fase!
Justificando meus erros em rimas,
Romantizado o profano em versos,
Fugindo da vida em prosa.

Poeta que sou, que fase!
Preso em mim mesmo, que sou muito.
Pouco em mim mesmo, quero lá fora.
Fora do quê? Já nem sei mais o que quero.
Sou fora de eixo, fora de moda, fora de mim.

Poeta que sou, que fase!
Sou tudo de bem, está tudo legal,
Não tenho além, me sinto normal.

É pouco, muito pouco o que eu posso
Porém, não há poder que eu consiga ter,
Não há poder que eu possa ter,
Não há posse, não há passe, impasse.

Não há nada,
Não é nada,
Tô bem!

Só eu,
Poeta,
Que fase!

Crise

Estamos em crise
Somos a crise
Tenho uma crise
de riso
de choro
de ódio
de nada

Vivendo em crise
Não sabe se sim
Não sabe se não
Que crise?
Crise, sem crise!

Crise que fico
Em crise que sou
Sou crise das crises
A crise em mim
Há crise em mim

Encrease demais
Decrease de menos
É crise de língua
É crise de gênero
É crise quem
E crise quem quero
É crise onde estamos
É crise que espero.

Crítico, critico a crise
Que cria a cria de crise em mim.

A dança

Ela dança e se contorce
Em mim, por mim e comigo
E eu a deixo, a sinto e assisto
E assim ficamos horas e horas
A nos embalar ao nosso prazer

Eu tento agarrá-la, ela se nega
Eu tento pegá-la, ela escapa
Eu tento prende-lá, ela se solta
Eu tento deixá-la, ela se fica
Eu tento nada, ela me tenta

O ritmo aumenta e a gente se embala
A respiração pesada, os corpos suados
O sangue já quente, só a gente sente
O ritmo muda, nossa boca muda
Você abusada, eu me deixando
Eu abusado, você me deixando

E por fim, quando eu me vejo
Acabou nós, não houve nós
Foi só um momento, foi só algo
Foi algo sozinho, foi e não é mais
Maldita inspiração que me provoca e não fica
Quem sabe um dia, quem sabe um dia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Muda história

Escrevo pra audiência pouca
Meu berros de desespero
Por vezes a minha voz rouca
Em versos se faz aguaceiro

Mas a chuva que outrora forte
Agora se faz amena
As dores de quase morte
Agora me são pequenas

Sinto a vida em mim sorrindo
De um jeto que nunca vi
Me sinto como bem vindo
Por caminhos d'onde fuji

Sorvo a paz que vem lentamente
Pra que sempre ela me aqueça
Da flor da alegria a semente
Cultivo, pra que ela floresça.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Te ofereço

Eu só posso te oferecer a dor de não estar ao seu lado
A companhia da minha ausência sempre presente
Um não abraço, um não carinho, um não beijo, um não eu
Te ofereço a saudade bruta, com poucas esperanças.


Posso te mostrar a solidão de estar comigo
Te mostrar como são tristes as noites
Como os dias são vazios, parcos, em vão
E como as coisas perdem a graça.


Te farei experimentar o gosto das lágrimas 
Que correm pelo rosto, sem esforço, só com o pensar.
O incessante exercício da paciência
E o leniente, em que os planos se transformam.


Não tem lógica insistir em mim,
Por que de mim só há a dor de não estar.
Não tem lógica insistir em mim
Pois daqui não me resta muito, a não ser te amar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bem vindo ao meu mundo

Quando se sentir cansado
De só querer amar
E o amor ao seu lado
Não querer ficar


E quando estiver gritando
Em busca de algo sem saber
E como estivesse sonhando
Saber o incrível gosto de ter


E quando parecer que só a tristeza lhe acompanha
E que tudo não se passa de ilusão
Que a vida é uma campanha
Sem rumo e sem direção


E quando de vazio encher o seu coração
E dentro dele só houver desilusão
Ou quando a noite se deitar
Sem saber porque, ou por quem, acordar


Quando só, você não basta
Só, você não serve
Só, você que quer
Só você, não dá


Saberá um pouco como eu vivo
Como eu passo dias, noites
Saberá o que eu quero
E por que me entrego a sina