domingo, 30 de outubro de 2011

Da vida

Se um dia me questionarem da vida,
Se vale, ou não, viver?
Se há prazer na lida?
Se é bom, ou não, morrer?

E se perguntarem, talvez,
Se há, por fim, amores?
Escassos ou amenos?
Se são grandes ou pequenos?

Ou, quem sabe, me perguntem,
Sobre as noites de choro,
Se as lágrimas um dia secam?
Ou serão raras como ouro?

Não saberei, confesso, responder.
Pois a vida me foi minha.
Foi-me boa e calminha,
Mas também me fez sofrer.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Desabafo

Preciso esquecer os amores antigos
Para que eu posso amar os amores vindouros.
Não sei o que há, o que acontece comigo,
Mas não consigo deixar de lembrar tais amores.

Sinto a tristeza chegar ao revê-los.
Dói o coração, o peito aperta.
Estive tão perto, cheguei a tangê-los.
Mas hoje somente a saudade desperta.

Existem lembranças tão dolorosas na minha cabeça
Que quando as visito me lembro porque fiz questão de esquecê-las
Mas ela não passam, ficam lá, silenciosas, no escuro.
E quando resurgem, urgem dentro do meu peito,
Minha cabeça explode, me pego em desespero.

Malditos pensamentos que me pegam desprevenido.
Preferia a vida sem memórias, do que ter que convivê-los.
Somente a pá do esquecimento consegue fazer da vida algo menos doloroso
Pois com tais lembranças, a vida é só dor, lágrimas, e a falta de alguém.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vontade Louca

O erro foi o primeiro beijo dado.
E eu, sabendo, já havia avisado.
Pois já previa os caminhos do meu desejo,
Já pressentia o eterno sabor da lembrança.

O primeiro passo, derradeiro de todo fim,
A sempre doce memória do seu toque ardendo em mim,
Os labios tenros que tangeram os meus,
O lindo riso e os cabelos seus.

O erro, qual me recordo agora,
Não traz a paz, que já tive outrora.
Nem a vontade, que não vai embora.
Só o teu jeito, já me enamora.

Por isso busco saciar em vão
Esse querer, essa vontade louca.
E nessa, insisto feito um pagão
Sorver o seu corpo ou, quem sabe, a boca.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Versos em vão

E quem diria, eu sentindo isso de novo?
E sabendo que é só porque não dá.
É só por não ser possível.

A dor ainda é a mesma, e ainda incomoda
Já foi mais forte, já deixei ser pior.
Mas ainda assim não foi embora.

Seja por sina, seja por qualquer motivo,
Ela sempre retorna.
Já não me é triste, nem surpreendente.

Sei como tratá-la, como fazê-la amena.
Mas preferia não senti-la, como a sinto agora.
Não senti-la pelo motivo que a sinto.

Eu não poso ter aquilo que quero, na hora em que desejo.
Assim me parece.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pensamento





























Se eu largar o pensamento aqui
Eu não sei aonde ele vai parar,
E nem sei se ele volta, ou se pára.

Aliás, para que voltar?
Se aqui dentro tudo é tão eu mesmo.

Mas, pensando bem, pra quê largar-lo-ia?
Se ele me tem sido ótima companhia

É pensamento, vadie-se dentro de mim.

Esse negócio de pensar fora da caixa
Não é pra você.
Procure aqui por dentro, você acha.
Você vai ver!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Caos do Milênio

Eu sou filho de um milênio velho
Se preparando pra se tornar mais sério

Atravessando crises e guerras,
Subproduto das grandes revoluções,
Entre atentados e descobertas,
No meio do mar de informação.

D'uma geração que tenta se adaptar
A um mundo que tenta se definir
E ao mesmo tempo torna-se mais indefinido
Entre diversas teorias, diversas ondas,
Diversos planos, discursos e mentiras.

Não temos mais ídolos,
Ou sim, mas eles mudaram.
Ídolos modernos, em meio a um turbilhão
De gritos, vozes e silêncios.

E quanto mais vozes ouvimos,
Menos vozes entendemos,
E, portanto, mais queremos falar,
E falando, no meio de tantos,
Tornamo-nos mais vozes
No meio do nada.

E por vivermos no meio do nada,
E sermos tão pouco compreendidos,
Resultamos em crises dentro de nós mesmos:
Crises existenciais.


O que comprar, o que usar, o que vestir,
Como falar, o que ouvir, onde comer,
O que comer, o que ser, como viver?

E não vivemos, não comemos, não escolhemos
Escolhem por nós, e nem sabemos.

Somos fruto do caos, somos os caos,
Que tenta ser entendido
Tentamos entender o caos no qual estamos inseridos
Tentamos nos inserir em meio ao caos que vivemos


Eu sou filho de um novo tempo,
O fruto de um novo milênio,

Do caos sou a mudança,
Do futuro sou a esperança,
E ainda me sinto criança.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Depois do seu não

Pelos passos que ando nesse mundo
E pelas horas que rumo sem destino,
Nada mais intenso, e nem mais profundo
Que o doce sopro do ar feminino.

E como as canções que deixei de cantar
E meus poemas que nunca serão,
Na vida, a esmo, sigo a vagar
Pedindo crime, cometendo perdão

E as vagas vozes ainda me falam
Dos segredos que um dia calei,
Das dores que sempre resvalam,
E o sonho que um dia eu sonhei.

É doce o sonho, cheio de luz
São dores parcas, sentidas em vão.
E o doce sonho, que pra ti conduz,
Sempre me dói depois do seu não.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por dentro

A guerra que travo dentro de mim
Não pode ter campeão,
Pois se eu vencer, eu perco
E se eu perder, eu venço

Sou eu contra mim mesmo,
Meu pensamento contra minha atitude,
Minha calma contra minha revolta,
Meu desespero contra a paciência.

Meu otimismo é fraco,
Meu pessimismo nem se esforça.
Tenho medo de meus pensamentos,
E meus pensamentos têm medo de mim.

Sorrio a ponto de explodir por dentro
Como uma bolha de insegurança e insatisfação.
Me enfureço por não saber pra onde vou,
E nem entender o que estou fazendo.

Corro em busca de algo que nunca vi,
Me escondo do risco da derrota,
E me perco na ânsia de ter o que sentir.
Sou um desperdício de ilusões e vontades.

Satisfação eu não conheço, e quiçá não terei ciência
Me exacerbo rapidamente de mim e de minhas convicções
No efêmero do meu ser, vou seguindo com leniência
No instinto de sobreviver, rastejo por todas direções.
Haja demência...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nada Mais

Versos calham,
Vão e voltam,
Entram e saem.

Minha vida?
Avacalha.
Se esvai.

Meu relógio?
Nunca falha.
Sempre atrás.

Meu refúgio?
Num barraco,
Se desfaz.

A alegria?
Tão vadia.
Só me trai.

A tristeza?
Mais que eu tente,
Não se vai.

Vira o dia,
Muda o ano,
Nada mais.

Poema triste

Retorno à poesia como quem retorna a um túmulo,
D'alguém querido, um ente outrora próximo.

Retorno à poesia com muito esforço,
Com um relutar latente, me achando louco.

Retorno à poesia como um cão teimoso,
Com latir vazio, ao rosnar no estio

Retorno à poesia por caminhos negros,
Por viélas esmas, por um labirinto.

Retorno pois dela me sinto,
E ela está em mim,
Quando rio,
Quando choro,
Quando minto.

Ela está no meus olhos, que enxergam o mundo,
Está nos ouvidos que ouvem o passar dos segundos,
Está na minha pele, em corpo moribundo.

Ela não retorna, por que é.
Está, e não vai,
Nem se quiser.

E eu retorno
Aos poucos,
Por pouco,
Por poucos,
Por outros,
Por mim.

Domingo

A calma felicidade num domingo à toa
O canto dos passáros ao sol radiante
A beleza que brilha do casal passante
Uma bela canção no fundo ecoa

Na simples casa de família unida
No cochilar tranquilo da avó querida
Ou quem sabe o riso no rosto da infante
Ou talvez a força do amor incessante

Me sinto em paz em estar junto
Me recarrego, rio, me refaço e canto
E a esmo comigo, as vezes pergunto
Se felicidade eu vou ter nesse tanto

A família é bela,
Brinca,
Sofre,
Rí,
E chora.

A tarde é curta,
O domingo vai embora.

Acabou.