sexta-feira, 24 de abril de 2009

O que eu quero

O que eu quero não está longe,
Nem tampouco distante do meu eu.
O que eu quero não é plano,
Não é dúvida, nem talvez.
O meu querer não planeja,
Não almeja,
não deseja.

O meu querer, é num momento bem maior
É num momento bem melhor. É mais verdade.
O meu querer, não vai ser e nem será.
O meu querer, não tem tempo,
Não tem quando, não tem data.

O que eu quero é o agora,
São as coisas lá fora,
Que acontecem em sua hora,
Que acontecem e são.

O que eu quero é o que eu sinto,
É o que eu digo, e o que eu sou.
Não quero mais do que o instante,
Que estou passando,
Que estou pensando,
Que estou querendo.

Quero aquilo que eu tenho,
E quero tê-lo assim,
na hora e em mim.
Quero sentir a vida hoje
Passando boa ou ruim.

Quero sentir as horas
Que são minhas,
E que depois não mais serão.

Quero sentir o que eu consigo,
O que eu conquisto,
No momento em que isso é meu.

O amanhã?
Do amanhã eu não quero saber,
Não preciso saber,
E não gosto de saber.

O amanhã já passou,
O ontem talvez seja,
Mas o hoje é meu.
O agora em que sou.

Sua e mais nada

Não quero que sejas pra mim
Somente o suspiro de um sonho
Tão bom, e tão perto do fim.

Não quero que me dê o beijo
Último e derradeiro, da despedida
Dos tolos afãs de meu desejo

Não quero sentir-te indo embora
Ver-te partir sem olhar para trás
Enquanto o mundo fica lá fora

Não quero ouvir, da tua boca,
O adeus daquilo que ainda nem começamos.
Não quero deixar-te linda e louca.

Não quero deixar de sentir raiva,
Nem tampouco esse ciúmes que me corrói.

Quero morrer de amor,
E por segundos te odiar,
E logo após te amar mais,
E depois te perdoar.

Quero que te aconchegues em meu peito
E que durmas ao meu lado, simples e somente.

Quero sentir tudo o que proporcionas
Tudo o que despertas,
Tudo o que ofereces

Quero fazer da minha vida uma história
Triste e apaixonada,
Fulgás e atormentada,
Sua e mais nada.

O que sinto...

Ah! O brilho dos teus olhos que tanto vejo,
Que me olham e me sorriem depois do beijo,
São luzes perdidas no fundo do meu eu,
São tristes acenos da amada ao Corifeu.

Ah! Essas horas, tantas horas e tão poucas;
Que são dias, que são tardes, que são loucas.
Se eu pelo menos prendesse-lhe um segundo,
Irias sentir um amor maior que o mundo.

Nos teus lábios onde encerram tanta paz,
Está um porto tão torrente, tão perfeito e tão fulgaz.
É o segundo perdido, entre gestos e carinhos.
É o segundo sem uma volta, sem um fim, sem um caminho.

E se tu soubesses do calor da tua pele,
Não negavas do teu beijo o sabor que ele expele.
E se soubesse o que a te tocar sinto eu,
Me encherias de abraços e jamais dirias Adeus.

Só te peço: não te prendas, que te deixes,
E que sinta o que tiveres que sentir.
E as portas da tua vida não me feches,
Pois em ti é o meu desejo, todo em mim.

sábado, 11 de abril de 2009

Hoje eu vi o filho que eu quero ter

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
No rosto de uma criança.
Senti a pele macia, o olhar penetrante,
E o peito cheio de esperança.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Dando pulos, sorrindo, feliz.
Senti o brilho da vida pequena
Se fazendo amena, se fazendo aprendiz

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Se embalar nos braços do pai.
Senti o acalanto calmo e sereno,
E meu filho dormindo, dormindo em paz.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
E como chorei ao vê-lo chorar!
Os olhinhos tão pequenos
Rasos d'água querendo me amar.

Hoje eu vi o filho que eu quero ter,
Comendo papinha, pelas minha mãos.
A boca era suja, pequena e gulosa,
Mas era cheia de vida e muita ilusão.

E ele tinha nos olhos a calma do meu amor
Que amou tanto, e foi tão mais do que eu.
Tinha a cara de choro dos meus sonhos ingênuos.
Tinha os braços gordinhos, a carinha redonda.
E se encaixava em meu peito quando eu pegava no colo,
Chupando o dedinho, engolindo o choro.
Pressenti as horas em claro, no escuro da noite,
E vi o amor, em sua total plenitude.
Ele é feito de mim, e da minha mulher.
Mas foi feito pro mundo, que o dará a quem quiser.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Impressões

Eu chego a sentir nela
Aquela calma dos amores que doem,
Aquele desejo dos amores que findam,
Aquele medo dos amores que são bons,

O amor que se prepara para ruir,
A dor que se alegra em ser, depois do fim,
O nada que resta de um gostar incessante,

Um alto teor de verdade,
Um certo "quê" de desejo,
Um jeitinho de menina,
Um gosto de sofrimento.

Existem verdade em teus olhos
Que são profundos e escuros.
Mas, que brilham ao rir
E dizem direto ao coração
Aquilo que os lábios jamais diriam.

Eu vejo nela aquilo que falta no mundo,
Um ar de alegria triste,
Aquela saudade, que se sente ainda junto,
A medida certa da dor e do prazer.

Ela é a noite na vida dos amantes
Ela é a música para aqueles que sofrem
Que me desperta meus medos infantes
Enquanto mil beijos meus lábios te sorvem.

sábado, 4 de abril de 2009

Segundas Intenções

De segundas intenções meus olhares estão cheios.
E teus atos te entregam.

De segundas intenções minhas palavras transbordam,
E teus sorrisos me respondem.

De segundas intenções meus pensamentos se carregam,
E teus abraços não me enganam.

E brinco de decifrar o teu jogo.
E quando eu entendo o que você não diz,
Mesmo com a carne ardendo em fogo,
Hesito, escondo o ato que você tanto quis.

E assim, entre um sorriso,
Uma volta,
Uma dança,
Vamos brincando de várias intenções.



Escrito em 04 de Abril de 2009
05:38 AM

sexta-feira, 3 de abril de 2009

P.J.B.

Esse jeitinho de garota decidida
Com trejeitos de quem nem sabe onde está.

Ela diz que sim, dizendo que não toda hora
E quando você pede para repetir, ela não disse nada.

Isso que ela é, está longe de ser o usual.
Mas, sente tanto quando tudo é igual.

É uma menina, se esquivando das flechas da vida
Mas sem deixar de se lançar a frente da batalha

Se perde em seu futuro, com seus planos pra sempre de 10 minutos.
Mas tem no seu passado a certeza de que nada foi em vão, e nem será.

Ela é a mulher dos sonhos, e dos pesadelos.
Ela é a garota descuidada e cheia de zelos.

Ela é isso,
E quase nada.

Ela é tudo,
E nada disso.

Uma ninfa,
Uma fada.

Ela é um anjo,
Ela é um bicho.

E se tudo não passar d'uma ilusão?

E no mesmo cais, em que vi a nave da juventude aportar,
E, onde desembarcou a minha felicidade (não sei se curta ou duradoura),
Começo sentir a hora do derradeiro adeus,
do beijo salso de lágrimas,
e da silenciosa companhia da solidão.




E me disse em tímidas lágrimas de amor:
- E se tudo não passar de uma ilusão?
Eu, descrente do fim de tudo,
Ri diante de tais palavras úmidas.

Portanto, nada foi como planejamos.
Sequer houve planos.
E, na doce ilusão do sopro de vento da calmaria,
Fomos nos deixando.
Embalando-nos às águas desse mar.

E se eu tivesse lhe dito tudo o que sentia?
E se eu tivesse lhe dado os beijos perdidos, na hesitação de meus atos?

Seria uma doce linda ilusão,
Que me valeria mais, do que a paz dessa covardia hipócrita,
Que deixa de sentir.

TalveZ, o nosso engano tenha sido dar o primeiro passo desse caminho.
Ou, talvez, melhor seria, se tivéssemos nos entregado ao acaso.

Tinha tanto para lhe mostrar, de meu mundo triste.
Tantos poemas tolos, tantos versos pobres;
Amigos ébrios, sons do choro de meu violão;
Meus planos, que se perderam;
Meus amores, que se esqueceram de mim;
Tantos de mim mesmo, que me acompanham...

E você?

É...
Você tinha muito desses poucos anos para me preencher.
Tinha muito desse "gostar puro”, dessa lascívia ingênua,
Desse mel que vicia, dessa alegria que contagia...

Oh! Seriamos a soma de opostos!

E a sua luz invadiria a minha treva;
E minhas canções lhe embalariam no quarto a noite;
Sua dança nos embalaria por entre sonhos, planos e desejos;
E a minha carne arderia a sua;
Minha lágrimas molhariam seus sorrisos;
Seus beijos calariam meus medos;
Seu afago acalentaria esse coração de poeta.

Mas isso tudo pode não ser!
Isso tudo, talvez, nem exista.



- E se tudo não passar d'uma ilusão,
Dessa alma, que só acalma quando escreve?
- E seu meus amores forem tolos e em vão,
Da loucura desse coração que'inda ferve?


Créditos para os ajustes ortográficos ao meu professor de poesia
Lininha Barba

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eu

Cansei dos versos sobre minhas dores,
Minhas alegrias, tristezas e meus amores.
Cansei de dizer que eu amo, que eu rio,
Que eu tô certo, que eu me engano.

Vou versar agora sobre você, sobre ele,
Sobre qualquer.
Quem passa na rua,
Quem dorme no hotel,
Quem come na esquina,
Quem entra no carro,
Quem sai da estrada.

Vou versar sobre teus sentimentos,
Quero saber o porquê dos teus atos.
Se gosta de arte, se gosta de Tom,
Se lê poemas, se assiste ao jornal.

Quero saber pr'onde irá daqui a um ano,
Quais teus medos, quais teus planos.
Quero saber quem você é, o que você faz.
Quero saber de fora pra dentro, de frente pra trás.

Quero saber se gosta de mim,
Se sabe quem sou,
Se sabe o que eu sinto,
Se sente por mim,
O que sente por mim,

É de lá pra cá,
É daí pra mim,
É você e eu,
Sou mais eu,
Enfim.