De que vale sonhos, planos?
Se não arriscamos.
Se não arriscamos um sorriso sincero
Numa amizade de bar?
Se não arriscamos, quem sabe, uma lágrima e seu real motivo
Ao companheiro mais próximo, o que se fez preocupado?
De que vale amar, amar, amar?
Se depois deixamos de sonhar. E os planos,
Como bolas de papel, são lançados a lixeira.
De que vale tanta cerveja, tanta caipirinha, tanto bilhar?
Se no fim de tudo, uma seção de vã sinceridade
Meia-dúzia de palavras ácidas, "certas considerações",
Derrubam tudo por água a baixo.
E o poema, e a música, e a tristeza?
Já que todos estão tristes, só,
Sem amigo, sem amante e longe.
Que derradeiro fim, para uma amizade tão fértil!
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