sábado, 24 de novembro de 2018

Onde achar aquilo que não se sabe o que é?
Buscar no vazio de tudo, algum significado pra nada,
Encontrar-se em lugares, corpos, situações
E ver-se desencaixado com o que quer que seja!

Quando não se sabe o que foi perdido
Simplesmente sente-se o vazio que foi deixado
E como não há, e nunca houve, olhar pra dentro
Não se sabe o que saiu do lugar. Sabe-se somente da falta

A falta daquilo que acalma. Há só inquietude
A falta daquilo que completo. Há só vazio
A falta daquilo que encaixa. Há só desajuste
A falta daquilo que sacia. Há só vontades

Sinto-me seguindo feito um cego
Acertando gente, fazendo doer as dores
Sentindo e fazendo sentir falta
"Alguma coisa está fora da ordem"

Daqui, de onde falo, os ecos dos pensamentos conversam
Me gritam, me julgam e criam realidades distantes do que há de fato
Me perco nesse turbilhão de medos, inseguranças e fraquezas
Vim parar aqui embaixo e não estou conseguindo achar o caminho de volta.

Não há em mim lugar seguro
Não há em mim lugar estável
Não há em mim qualquer alento
Não há em mim nada, a não ser vontades.

Sou bicho, e como bicho, refém do que sinto
Pouco raciocínio, muito impulso,
Muitas ações, muitas consequências.

Dói estar assim,
Dói perder a paz,
Dói não ter em mim,
O que me satisfaz.

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