sábado, 24 de novembro de 2018

Lua

A lua moribunda e absorta de desejo
Se enche, transborda e se extenua
No afã de um do gozo ou só de um beijo
E vira as horas, ébria, sombria e nua.

A culpa a corrói em crateras
E ela percorre a noite
Ao som dos que gemem,
Dos que choram,
Dos que gozam,
De dor, de prazer,
De nada e de tudo.

Despudorada, ela transborda em sombras
Atraindo mares, cantos e amores
Que vão e são, vêm e estão
Como suas fases, breu e luz, dia e noite.

Oh, Lua! Míngua em mim e desaparece, nova,
Preta, nua e misteriosa que lá está e não se vê.

Depois cresce, mais e mais
E no auge quarto de luz
Queima a pele dos amantes sob ti.

Amarela como o astro que persegue e nunca tange.
Coadjuva a minha dor.
E sacia a rima, que em mim range.

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