quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Renúncia

Eu senti o seu alento gélido nas longas noites em que lhe compartilhava minhas lágirmas,
E com ela passei dias esperando a vinda de algo melhor.

Eu dividi com raiva meus medos, meus sonhos, e meus desesperos,
E ela calada só manteve-se ao meu lado, me ouvindo estática.

Eu fui aquele que lhe cantava canções, lhe escrevia poemas, e que passava horas a pensá-la.
Eu fui pra longe, me escondi, briguei com todo o mundo, e ela sempre esteve ao meu lado.

E apesar de tudo isso, de toda essa fidelidade cega e irracional,
Eu, dubitavelmente, renuncio essa companheira. Renuncio.

Não desejo mais esse silêncio resiliente,
Não quero mais sentir sua companhia ao meu lado,
Seu olhar apaixonado e piedoso sobre meu cadaver que insiste viver,

Me dispeço, mesmo sabendo que é impossível.
Pois sei que um dia voltará para mim, cedo ou tarde.
Sei que um dia, de repente, ao olhar para o lado... talvez para frente
Ela vai estar lá, triste, pálida, cálida e intensa,

E como sempre fez outras vezes, silenciosamente,
Olhará em meus olhos, pegará a minha mão,
E seremos de novo nós dois,
Só eu e a solidão.

Um comentário:

Direitos e Deveres disse...

"E como sempre fez outras vezes, silenciosamente,
Olhará em meus olhos, pegará a minha mão,
E seremos de novo nós dois"